Brasil

Por que está chovendo tanto em fevereiro? Entenda o que explica os volumes elevados pelo país

Segundo a Climatempo, frentes frias no Sul e Sudeste e a atuação da ZCIT no Norte e Nordeste mantêm acumulados acima da média; mês ainda não terminou

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Nuvem de chuva | Reprodução Climatempo

Fevereiro ainda não acabou, mas nesta segunda-feira (23), várias cidades do país já registram volumes de chuva acima da média para o mês inteiro. Segundo a Climatempo, a sequência de dias chuvosos é resultado da atuação de sistemas diferentes em cada região do país, o que ajuda a explicar por que os acumulados estão tão altos antes mesmo do fim do mês.

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No Sul e no Sudeste, duas frentes frias avançaram pelo litoral, enquanto no Norte e no Nordeste, a principal influência é a Zona de Convergência Intertropical (uma faixa de nuvens carregadas), sistema típico desta época do ano.

Em todos os casos, a chuva, além de intensa, foi duradoura, o que elevou rapidamente os volumes acumulados.

Rio de Janeiro sob efeito direto das frentes frias

No estado do Rio de Janeiro, duas frentes frias chegaram à costa entre os dias 19 e 22 de fevereiro. Frente fria é a área de transição entre uma massa de ar frio e outra mais quente. Quando o ar frio avança e encontra o ar quente e úmido já instalado sobre o estado, ele força a subida rápida do ar quente, formando nuvens carregadas e chuva forte.

A segunda frente fria também reforçou a entrada de ventos úmidos vindos do oceano. Esses ventos sopram do mar em direção ao continente e mantêm o fornecimento constante de umidade, fazendo com que as nuvens permaneçam sobre a mesma região por mais tempo.

Além disso, a circulação de ventos em níveis médios na atmosfera, a cerca de 5 quilômetros de altitude, ajudou a organizar e sustentar as áreas de chuva, impedindo que elas perdessem força rapidamente.

Os maiores volumes se concentraram entre a noite do dia 19 e a noite do dia 22. Nesse intervalo de até 72 horas, os acumulados de chuva chegaram a:

• Itatiaia: 191 milímetros

• Nova Iguaçu: 165 milímetros (cerca de 100 milímetros entre a manhã do dia 21 e a manhã de 22/2/26)

• Belford Roxo: 164 milímetros (131 milímetros em apenas 90 minutos no sábado, 21/2)

• Angra dos Reis: 132 milímetros

• Paraty: 126 milímetros

• Guapimirim: 163 milímetros (cerca de 100 milímetros entre a manhã do dia 21 e a manhã de 22/2/26)

• Mesquita: 149 milímetros (cerca de 100 milímetros entre a manhã do dia 21 e a manhã de 22/2/26)

• Mangaratiba: 149 milímetros

• Resende: 135 milímetros

• Angra dos Reis: 132 milímetros

• Nilópolis: 129 milímetros

• Paraty: 126 milímetros

• Queimados: 112 milímetros

• Barra do Piraí: 107 milímetros

• Piraí: 102 milímetros

• Petrópolis: 99 milímetros

• Teresópolis: 91 milímetros 112 milímetros

• Barra do Piraí: 107 milímetros

• Piraí: 102 milímetros

• Petrópolis: 99 milímetros

• Teresópolis: 91 milímetros

Na capital do Rio, fevereiro já ultrapassa com ampla margem a média histórica de 118 milímetros em diversos bairros. Até a manhã do dia 22, os volumes eram de:

• Anchieta: 393,4 milímetros

• Alto da Boa Vista: 371,6 milímetros

• Tijuca/muda: 361,2 milímetros

• Grajaú: 338,4 milímetros

• Ilha do Governador: 344,2 milímetros

• Bangu: 302,8 milímetros

• Jardim Botânico: 318,6 milímetros

• Jacarepaguá/Estrada Grajaú: 303,2 milímetros

Quando a chuva se mantém por muitas horas ou dias consecutivos, o solo fica encharcado e os rios sobem. Mesmo que a intensidade diminua depois, o risco de alagamentos e deslizamentos continua elevado.

A previsão é que o tempo continue chuvoso nessa segunda-feira (23).

Litoral de São Paulo também teve chuva persistente

O litoral paulista foi afetado pelo mesmo sistema que atuou no Rio de Janeiro. As frentes frias, combinadas com ventos úmidos constantes do mar, mantiveram a chuva concentrada por muitas horas na faixa entre o norte de Santa Catarina e o litoral norte de São Paulo.

Entre a noite de 19 e a noite de 22 de fevereiro, os acumulados foram:

• Peruíbe: 368 milímetros

• Ubatuba/Sertão da Quina: 280 milímetros

• Praia Grande: 190 milímetros

• Caraguatatuba: 165 milímetros

• Bertioga: 140 milímetros

• Guarujá: 136 milímetros

• Santos: 109 milímetros

• São Vicente: 108 milímetros

• Ilhabela: 108 milímetros

• Mongaguá: 106 milímetros

O que mais chamou atenção foi a duração da chuva. Em vez de pancadas rápidas e isoladas, ela ocorreu de forma contínua ou com intervalos curtos, permitindo que o volume total aumentasse gradualmente ao longo dos dias.

Sul com reforço dos ventos do mar

No litoral de Santa Catarina e do Paraná, a segunda frente fria também intensificou os ventos marítimos. Ao atingir a Serra do Mar, o ar úmido vindo do oceano é forçado a subir devido ao relevo. Quando o ar sobe, ele esfria e forma nuvens de chuva, favorecendo acumulados persistentes na faixa litorânea.

Assim como no Sudeste, os maiores volumes se concentraram entre a noite do dia 19 e a noite do dia 22. Nesse período de até 72 horas, os acumulados foram de:

• Paranaguá: 187 milímetros

• Guaratuba: 146 milímetros

• Balneário Piçarras: 124 milímetros

• Navegantes: 113 milímetros

Em várias áreas do litoral do Sul, os volumes ficaram entre 100 e 200 milímetros em poucos dias. Quando a chuva ocorre de forma contínua, o risco de enxurradas e deslizamentos aumenta rapidamente.

Nordeste sob influência da ZCIT

No Norte e no Nordeste, o cenário é diferente. A principal responsável pelas chuvas é a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), faixa de nuvens carregadas formada próxima à Linha do Equador, onde os ventos dos hemisférios Norte e Sul se encontram. Esse encontro concentra calor e umidade, favorecendo a formação de áreas extensas de chuva.

Em fevereiro, a ZCIT ganhou força sobre o extremo norte do país. A atuação combinada com um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis, sistema que atua nas camadas mais altas da atmosfera e ajuda a organizar as áreas de instabilidade, reforçou as chuvas especialmente no norte do Maranhão, no norte do Piauí e no interior do Ceará.

Entre 1º e 19 de fevereiro, os volumes já superavam a média histórica em algumas capitais:

• Teresina (PI): 265 milímetros (média de fevereiro: 234 milímetros)

• Fortaleza (CE): 216 milímetros (média de fevereiro: 187 milímetros)

• São Gonçalo (PB): 209 milímetros

Norte também registra acumulados acima da média

Na Região Norte, a ZCIT também intensificou a chuva ao longo do mês, especialmente na porção mais ao norte.

Até o dia 19 de fevereiro, os acumulados eram de:

• Belém (PA): 349 milímetros

• Macapá (AP): 264 milímetros

• Manaus (AM): 338,4 milímetros (média de fevereiro: 297 milímetros)

Em Manaus, janeiro já havia terminado acima da média. Além da atuação da ZCIT, a grande quantidade de ar quente e úmido típica desta época do ano favorece pancadas frequentes, elevando ainda mais os volumes mensais.

Com a circulação marítima ainda atuando no Sul e no Sudeste e a ZCIT permanecendo ativa no Norte e no Nordeste, fevereiro pode encerrar com acumulados ainda maiores em várias regiões do país.

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