Brasil

Policial do Bope mandou mensagens à esposa antes de morrer em megaoperação no Rio: "Continua orando"

Heber Carvalho da Fonseca, de 39 anos, morreu após ser atingido em confronto e será enterrado nesta quinta-feira (30); leia as mensagens

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Caroline Vale
30/10/2025, 11:53 • Atualizado em 31/10/2025, 19:58
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Policial do Bope morto em operação trocou mensagens com a esposa. | Reprodução/Redes sociais

Policial do Bope morto em operação trocou mensagens com a esposa. | Reprodução/Redes sociais

Jéssica Araújo, esposa do 3º sargento do Bope Heber Carvalho da Fonseca, de 39 anos, morto durante a megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, mostrou em uma rede social as últimas mensagens trocadas com o marido.

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Durante o confronto com criminosos na manhã de terça-feira (28), ela enviou mensagens ao marido demonstrando toda sua preocupação: "Você tá bem? Deus está te cobrindo", escreveu. Às 10h57, Heber respondeu: “Estou bem. Continua orando.”

Essa foi a última vez que Jéssica falou com o marido. Os registros seguintes mostram que ela tentou ligar várias vezes entre 13h33 e 13h36, mas não foi atendida. Ele e outros três policiais foram atingidos durante a operação policial e não resistiram. O sepultamento de Heber será nesta quinta-feira (30).

Jéssica compartilhou o print das mensagens, onde lamentou: "E você não falou mais. E agora? O que vou falar pra Sofia?" O sargento do Batalhão de Operações Policiais Especiais deixa a esposa, dois filhos e um enteado.

Esposa de Heber via Instagram. | Reprodução/Redes sociais
Esposa de Heber via Instagram. | Reprodução/Redes sociais
"Pensa em um cara corajoso, que correu atrás dos sonhos e objetivos. Quanto orgulho dessa profissão, e orgulho para todos que tiveram a oportunidade de te conhecer. Você era maravilhoso, obrigada por esses anos ao meu lado. Você é o meu eterno herói, ETERNO 33", escreveu Jéssica em outra publicação.

Desacreditada, ela publicou uma foto da família, onde relembrou o que o marido falava: "Ele dizia que tinha uma senha em suas mãos, toda vez que perdia um colega. Que o dia que acontecesse com ele, iria fazendo o que mais amava. E a gente nunca acredita, esse dia chegou. Não consigo explicar essa dor."

Heber morreu no mesmo mês do aniversário da filha de 12 anos, que também homenageou o pai: "Pai, não tenho palavras pra descrever o quão maravilhoso era estar ao lado do senhor. O tempo que tive com você foi perfeito. (...) Saiba que eu te amo infinitamente, você foi o melhor homem que eu já conheci", desabafou na mesma rede social.

Operação mais letal da história do Rio

A ação, parte da chamada Operação Contenção, foi justificada pela necessidade de desarticular lideranças do Comando Vermelho na região. Participaram cerca de 2.500 policiais civis e militares, cumprindo mandados de prisão e busca. Segundo o governo estadual, a megaoperação deixou 121 mortos, sendo quatro policiais: além de Heber, Rodrigo Cabral, Marcus Vinícius Cardoso e Cleiton Serafim Gonçalves.

Durante a operação, houve intensa troca de tiros. Ruas das comunidades foram bloqueadas com barricadas, e objetos foram incendiados. 113 suspeitos foram presos e 118 armas apreendidas.

Inicialmente, as autoridades confirmaram 64 mortes, mas moradores encontraram corpos em áreas de mata no alto do complexo, onde os confrontos foram mais intensos. Ao longo da quarta-feira (29), o número de mortes subiu. O Instituto Médico Legal (IML) ainda recebe corpos, e a contagem pode aumentar.

O secretário da Polícia Militar, Marcelo de Menezes, explicou que as forças de segurança criaram o chamado “Muro do Bope”, policiais avançaram pela Serra da Misericórdia para cercar os criminosos e empurrá-los em direção à mata, onde equipes do Bope já estavam posicionadas. A explicação foi dada durante entrevista coletiva que detalhou os resultados da operação.

Em letalidade, a ação superou as operações anteriores no Jacarezinho (2021), com 28 mortos, e na Vila Cruzeiro (2022), com 24 óbitos, ambas realizadas no governo de Cláudio Castro (PL).

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