PF indicia 16 por queda de avião da Voepass
Investigação aponta falhas no sistema de degelo e omissão de problemas em voos anteriores como fatores determinantes para o acidente em Vinhedo

A Polícia Federal indiciou 16 funcionários e ex-funcionários da Voepass pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo, no caso da queda do avião ATR 72-500 em Vinhedo, no interior de São Paulo. O acidente, ocorrido em 9 de agosto de 2024, matou 62 pessoas. O indiciamento foi anunciado nesta quinta-feira (6), durante coletiva de imprensa.
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Segundo o delegado André Almeida Azevedo Ribeiro, as 16 pessoas tiveram condutas que influenciaram diretamente o resultado da tragédia e, por isso, foram responsabilizadas pelo crime contra a segurança do transporte aéreo.
Ainda de acordo com o delegado, no dia anterior ao acidente, o comandante Edson Serra Martins relatou problemas no sistema de degelo. A investigação aponta que havia orientação para que pilotos não registrassem falhas no diário de bordo, a fim de evitar a paralisação da aeronave. Nesse contexto, também foi apontado o crime de falsidade ideológica.
Confira quem são os indiciados
- Edson Serra Martins — piloto, comandante do voo PTB 2293;
- Luciano Alves de Macedo — piloto, comandante do voo PTB 2204;
- Oderlino de Campos Figueiredo — despachante operacional de voo (DOV) dos voos PTB 2293 e PTB 2204;
- John Major Viana — despachante operacional de voo (DOV) do voo PTB 2282;
- Marcos Hiroyuki Sato — despachante operacional de voo (DOV) responsável pelo voo PTB 2283;
- Alex de Souza Leandro — mecânico responsável pela liberação da aeronave; (Mecânico do pernoite responsável pelo Daily Check do PS-VPB)
- William Schmidt Agatz — gerente do Centro de Controle Operacional da empresa (CCO);
- Juliano Flores Pacheco — gerente do Centro de Controle de Manutenção (MCC); Gerente do MCC (Maintance Control Center)
- Raphael Limongi de Figueiredo — chefe do CCO; também aparece nos depoimentos como piloto-chefe e chefe de tripulação; Chefe do CCO (centro de controle operacional)
- Marcel Sarquis Moura — diretor de Operações;
- Tiago Passucci Morani — gerente de Engenharia e inspetor-chefe;
- Carlos Alberto Costa — diretor de Manutenção;
- Eric Consoli — diretor Técnico
- Rafael Gimenez Rodrigues — piloto-chefe e responsável pelo Programa de Monitoramento de Dados de Voo (FOQA)
- David da Costa Faria Neto — diretor de Segurança Operacional;
- José Luiz Felício Filho — Diretor Presidente da Voepass

O acidente
No dia 9 de agosto de 2024, o voo PTB-2283 decolou do Aeroporto Regional do Oeste, no Paraná, com destino ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Por volta das 13h22, a aeronave caiu sobre uma casa em Vinhedo, resultando na morte de todos a bordo.
Dois anos depois, na conclusão do laudo ao qual o SBT News teve acesso, a Polícia Federal afirma que o avião entrou em uma área de formação intensa de gelo, enquanto o sistema de degelo apresentava falha. O acúmulo de gelo reduziu o desempenho da aeronave, provocando perda gradual de velocidade. Em seguida, o avião perdeu o controle, entrou em rotação e não conseguiu recuperar o voo antes de atingir o solo.
A análise também aponta que os procedimentos previstos nos manuais para essa situação não foram executados integralmente antes da perda de controle. O piloto Danilo Romano e o copiloto Humberto de Campos morreram na tragédia.
O laudo indica ainda que a falha no sistema de degelo da asa direita não começou no dia do acidente. Segundo os investigadores, o problema já havia sido registrado em voos anteriores, mas não foi anotado no diário de bordo pelas tripulações, o que impediu a retirada da aeronave de operação para manutenção.
A Polícia Federal afirma que isso representou “uma quebra direta das responsabilidades atribuídas às tripulações”.
O documento revela que, apenas no voo imediatamente anterior ao acidente, realizado pela mesma tripulação, o alerta de falha no sistema de degelo da asa direita foi acionado oito vezes.
Ao final desse voo, às 11h21, já em solo, o comandante comentou com o copiloto sobre o gelo acumulado na aeronave: “Ó lá o gelo, o gelo foi embora agora, finalmente. Escutei um barulho aqui. Foi o gelo que voou. (...) Chegamos vivos. (...) Ufa, chegamos vivos”. Mesmo assim, o avião voltou a decolar de Cascavel com destino a Guarulhos.















