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Brasil

PF e PRF: corte de verbas previsto no orçamento pode afetar investigações, operações e serviços

Lewandowski admitiu redução "drástica" e diz trabalhar por recursos; polícias alertam sobre riscos de interrupção de atividades, como emissão de passaportes

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Os cortes de recursos previstos no orçamento para a Polícia Federal (PF) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) podem colocar as duas forças de segurança em rota de colisão com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A redução de mais de R$ 200 milhões do valor pedido pela PF pode prejudicar investigações, operações, manutenção das unidades e de diversos serviços, como o de emissão dos passaportes.

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O serviço de passaportes é uma grande vitrine da PF, e a interrupção acabaria prejudicando milhares de pessoas. Em março deste ano, por exemplo, a polícia emitiu 18 mil passaportes. Os dados são do Sistema Nacional de Passaportes (Sinpa), consultado pelo SBT News.

Nessa quarta (17), o site do serviço de agendamento online para retirada de passaportes amanheceu fora do ar. Em nota divulgada à imprensa, a PF informou que o serviço estava "temporariamente indisponível" e sem prazo previsto para reestabelecimento. Uma apuração foi aberta para apurar uma possível ação de hackers.

Passaporte do brasileiro barrado em aeroporto de Lisboa
Passaporte do brasileiro barrado em aeroporto de Lisboa

"Polícia Federal informa que o serviço de agendamento de emissão de passaporte pela internet está temporariamente indisponível", informou a nota. "A Polícia Federal segue trabalhando para o célere reestabelecimento do serviço."

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Cortes

Os cortes no Orçamento federal atingem todas as áreas do governo e buscam um reequilíbrio nas contas públicas. A PRF teve um corte de R$ 77 milhões, aproximadamente, e o Ministério da Justiça e Segurança Pública, de R$ 409 milhões, ao todo.

Um relatório da PF enviado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, há uma semana, informou que a redução anunciada vai prejudicar atividades e serviços.

Em audiência na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, na terça (16), Lewandowski assumiu a bandeira das polícias. Classificou de "drástico" o corte orçamentário, alertou que "prejudicará" os serviços e disse que todos trabalham no limite dos esforços.

"Realmente, nós sofremos um corte bastante drástico, não só no Ministério da Justiça, mas, sobretudo, no orçamento da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, que, indiscutivelmente, prestam um serviço de excelência para o país", disse o ministro.

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Mais recursos

Lewandowski levou ao Congresso, também na terça, números das ações da PF e da PRF, como prisões, apreensões e retorno de dinheiro para os cofres públicos em grandes operações policiais.

Destacou a caçada e a prisão dos dois fugitivos do Presídio Federal de Mossoró (RN) e a conclusão das investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol), executada em 2018 no Rio, para destacar o papel das polícias como atividade essencial do estado — assim como educação e saúde.

Lewandowski disse que tem reunião marcada com os ministros do Planejamento, Simone Tebet, e da Fazenda, Fernando Haddad, para tentar alterar os valores de cortes para a área, com base nas atividades desempenhadas e nos recentes resultados.

"Enviamos ofícios ao Ministério do Planejamento e também à Fazenda reclamando a reposição desses recursos", afirmou o ministro. Lewandowski admitiu ser um quadro delicado de "cobertor de pobre", em que "puxa-se de um lado e descobre-se outra parte".

Operações em risco

A Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) cobrou "remanejamento de despesas" imediato e "melhor gestão" dos recursos, em nota divulgada na semana passada. Alertou ainda sobre riscos de operações da PF como a Lesa Pátria, que investiga envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro, as de combate aos garimpos na Amazônia e as de enfrentamento ao tráfico internacional de drogas e às facções serem reduzidas.

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"Não haverá recurso suficiente, por exemplo, para o pagamento das diárias dos servidores, já que o dinheiro que deveria ser usado para essa finalidade foi antecipado de maio para abril, o que, consequentemente, vai causar o cancelamento de grandes operações e também impedir a atuação de policiais federais nas regiões mais vulneráveis do país", diz nota da ADPF.

A entidade ataca os cortes feitos no Orçamento de 2023, que teria inviabilizado "investimentos" da PF para ampliar sua atuação, e alerta sobre os efeitos do novo contingenciamento. "Com esse novo contingenciamento, não restarão recursos sequer para a manutenção dos serviços", lamentou.

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