Política

Comandante do Exército nega aviso sobre operação que investigou militares ligados a Bolsonaro

Segundo ele, a Polícia Federal apenas solicitou um oficial para coordenar busca e apreensão em áreas militares, não informando alvos

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SBT News
17/04/2024, 18:57 • Atualizado em 17/04/2024, 18:57
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general Tomás Ribeiro Paiva

general Tomás Ribeiro Paiva

O general-comandante do Exército Tomás Miguel Paiva negou que a Força tenha sido avisada da operação que investigou militares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele informou que, um dia antes da ação, a Polícia Federal apenas solicitou um oficial para coordenar busca e apreensão em áreas militares.

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Paiva participava de audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, nesta quarta-feira (17), quando foi questionado por políticos da oposição quanto à ação da PF que investigava alvos militares suspeitos de participar de tentativa de golpe de Estado.

Segundo ele, em "todas as operações de busca e apreensão que ocorreram dentro de área militar, na véspera, à noite", foi solicitado por parte da PF um único oficial "para coordenar". "Sem falar exatamente quem eram [os alvos], e estes foram mantidos em sigilo”, disse.

“Estava em sigilo, ninguém foi informado de quem era, como era, onde era, quais eram os atores. Então houve a comunicação, não nessa, em todas as outras operações que ocorreram [em área militar], medidas de busca e apreensão, medidas de prisão, medidas cautelares… Foi informado na véspera pedindo o apoio de um oficial [...] e isso foi feito”, afirmou o comandante.

O general Tomás reafirmou, ainda, que não havia a possibilidade de ter acesso aos autos. "Não cabe ao comandante do Exército se manifestar sobre decisão da Justiça", disse.

Quanto aos encontros com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, não negou, mas enfatizou que conversa com todos os ministros. Não somente com o responsável pela ordem expedida. “É do dever do comandante do Exército”, disse Paiva.

Operação da PF

Em 8 fevereiro, a Polícia Federal deflagrou a operação Tempus Veritatis, contra ex-ministros civis e militares do governo de Jair Bolsonaro por suspeita de golpe de Estado.

Foram cumpridos quatro mandados de prisão: contra Filipe Martins, assessor de Assuntos Internacionais da Presidência durante o governo Bolsonaro; o coronel da reserva do Exército Marcelo Câmara, ex-ajudante de ordens do ex-presidente; o major Rafael Martins de Oliveira, das Forças Especiais do Exército; e o coronel do Exército Bernardo Romão Correa Neto.

A força-tarefa também mirou nomes de aliados do ex-presidente, como o general Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI); o general Walter Souza Braga Netto, ex-ministro-chefe da Casa Civil e da Defesa; Anderson Torres, ex-ministro da Justiça; o general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa e ex-Comandante do Exército Brasileiro; o almirante de esquadra Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

As ordens foram expedidas pelo ministro-relator que investiga as suspeitas de golpe, Alexandre de Moraes, que também determinou que Bolsonaro entregasse o passaporte e não falasse com outros investigados.

O inquérito apura a participação dessas pessoas nos atos do dia 8 de janeiro, quando milhares de manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes (Planalto, Congresso e Supremo) em Brasília.

De acordo com a Polícia Federal, os suspeitos se associaram para espalhar informações falsas sobre o sistema eleitoral do Brasil, com o propósito de instigar uma intervenção militar que assegurasse a permanência de Bolsonaro na Presidência.

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