Operação mira esquema bilionário de jogos ilegais
Investigação aponta uso de empresas de fachada para lavar dinheiro de apostas clandestinas e possível ligação com integrantes do PCC

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo realizaram nesta quinta-feira (28) uma operação contra um grupo suspeito de explorar jogos ilegais e lavar dinheiro por meio de uma rede empresarial que, segundo os investigadores, movimentou cifras bilionárias.
Batizada de Operação Falsa Las Vegas, a ação é um desdobramento da Operação Falso Mercúrio, deflagrada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) em dezembro do ano passado.
A operação anterior resultou no bloqueio de R$ 6 bilhões em contas ligadas a dezenas de pessoas físicas e jurídicas investigadas por supostos vínculos com lavagem de dinheiro e integrantes associados ao PCC.
Segundo o Ministério Público, o grupo utilizava empresas de fachada para ocultar recursos provenientes de apostas clandestinas e de outras atividades ilícitas.
Estrutura empresarial
De acordo com o dossiê elaborado pelos investigadores, a empresa ASX Participações e Tecnologia Ltda. exercia papel central no esquema. Embora registrada formalmente como um centro educacional e plataforma pedagógica, a companhia seria utilizada para administrar operações financeiras ligadas à plataforma de apostas “Black Vegas”.
As apurações indicam que o grupo operava jogos ilegais, como “Tigrinho” e jogo do bicho, utilizando estruturas empresariais para movimentar recursos e dificultar o rastreamento das transações financeiras.
Lavagem de dinheiro
Os investigadores afirmam que os valores arrecadados eram pulverizados em diversas contas bancárias para esconder a origem do dinheiro.
Em uma das movimentações identificadas, mais de R$ 1 milhão teria sido fragmentado e distribuído rapidamente por empresas e contas de fachada.
Segundo o Ministério Público, o esquema contava com operadores responsáveis por intermediar transferências de alto valor e realizar pagamentos estratégicos para manter o funcionamento das atividades ilegais.
Possível ligação com o PCC
O organograma da investigação aponta Sandro Calliari, sócio da ASX, Aposte Fácil e Black Vegas, e Eduardo Moreno Lopes, conhecido como “Tio”, como integrantes do núcleo estratégico da organização. Lopes é descrito como operador financeiro do grupo.
Também aparecem no núcleo operacional integrantes ligados ao chamado “Grupo IRKA”, que teria vínculos “investigados e comprovados” com membros do Primeiro Comando da Capital (PCC). Eles são suspeitos de atuar na execução financeira e na circulação dos recursos relacionados ao esquema.
Carlos Rodrigo Kamalakian, conhecido como “Turquinho”, seria responsável pelo fornecimento de dinheiro falso, desviando R$ 50 mil em uma operação de R$ 1 milhão. Já Cristiano Henrique Kamalian é apontado como líder do grupo e responsável por autorizar transferências de alto valor destinadas a empresas de fachada. Varlei Ramos da Silva, por sua vez, seria o principal executor de pagamentos da organização.
O Ministério Público informou que os pedidos de prisão preventiva tiveram como objetivo evitar a destruição de provas, impedir a continuidade das atividades ilícitas e coibir eventual coação de testemunhas e pessoas utilizadas como “laranjas” pelo grupo.















