Brasil

Nefo, morto no presídio em SP, prestava contas de atentados a comando do PCC na Bolívia

Chefe de plano contra Moro interrompido pela PF trocou 135 mensagens com três terminais bolivianos, em menos de um mês; fazendas de coca seriam QG da facção

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Ricardo Brandt
22/06/2024, 20:03 • Atualizado em 22/06/2024, 21:33
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Nefo, executado na prisão, e a mulher, que chegou a ser presa em ação da PF. | Reprodução/JFPR

Nefo, executado na prisão, e a mulher, que chegou a ser presa em ação da PF. | Reprodução/JFPR

Os dois chefes do plano frustrado da facção criminosa PCC contra o senador Sérgio Moro (União-PR) tinham contato direto e prestavam contas para lideranças da facção que estavam na Bolívia, mostram investigações da Polícia Federal (PF). Ambos foram executados na prisão de Presidente Venceslau (SP), na última segunda-feira (18).

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Janeferson Aparecido Mariano Gomes, o Nefo, e Reginaldo Oliveira de Souza, o Rê, foram mortos por quatro presos da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, com golpes de canivete e estilete. Foram executados durante o banho de sol dos detentos, logo após o almoço.

Outros três membros da facção presos pelo ataque frustrado a Moro estão na mesma unidade. Um deles, Valter Lima Nascimento, o Guinho, pediu para a Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo para ser isolado dos demais, por medo de ser alvo de ataques.

A suspeita é que as mortes foram encomendadas pelo PCC como punição pelo fracasso do plano. Desde 2020, a PF, o Ministério Público de São Paulo e o Depen apuram e combatem planos de ataques do PCC, em Brasília (DF), Porto Velho (RO) e Curitiba (PR). Os planos teriam como principal beneficiado Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola – liderança mais conhecida da facção paulista.

"A análise da utilização do aplicativo WhatsApp por Janeferson revelou intensa troca de mensagens (135 mensagens trocadas) com 3 terminais bolivianos entre 18 de fevereiro e 4 de março de 2023", registra relatório da PF, na investigação do plano contra Moro em Curitiba.

No dia 24 de março, Nefo e Rê seriam presos alvos da Operação Sequaz, da PF. "Todas as atividades do grupo eram ordenadas e sujeitas a controle da liderança da área restrita do Primeiro Comando da Capital, em especial de Janeferson."

Arquivo vivo

Dois integrantes do comando do PCC que estavam envolvidos nos planos de atentados e que estão foragidos são Patrick Uelinton Salomão, o Forjado, e Jomacel Carvalho Soares, o Milco.

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Ambos têm ligação com as fazendas da Bolívia do PCC. Forjado pode estar escondido no país vizinho, suspeitam investigadores. Milco foi alvo da Operação Irrestrita, em dezembro de 2023, que prendeu Eduardo Marcos da Silva, o Dudinha, ligado diretamente a Marcola. Ele morava em uma mansão em São Paulo.

As investigações apontam que Milco era um dos canais do grupo com a Bolívia. Inferior a Nefo, hierarquicamente, mas superior a outros membros, segundo a interpretação da PF, que monitorou os telefones dos alvos, ele cuidava da contabilidade e das prestações de contas.

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"Áudios descobertos na conta iCloud de Claudinei comprovam a capacidade que ele (Milco) tem de cobrar os demais, bem como a forma como ele utiliza o vulgo de Janeferson para forçar a cobrança dos dados de prestação de contas." Nefo trocou 526 mensagens com Milco.

A Bolívia virou um refúgio e base operacional do PCC nos últimos dez anos. As investigações da PF identificaram propriedades compradas pelos criminosos, em especial na Bolívia e no Paraguai, para a produção das drogas. Locais que passaram a ser usados como bunkers de lideranças e das células de elite das facções.

"Áudios encontrados na conta iCloud utilizada por Claudinei, temos Milco, ainda não qualificado, deixando claro que se a prestação de conta não for enviada no tempo certo, a financeira da Bolívia que vai cobrar eles, ou seja, o dinheiro que é recebido pelos investigados vem, naturalmente, do tráfico de drogas."

Nefo foi um dos que esteve escondido em propriedades do PCC na Bolívia, antes do plano frustrado em Curitiba, e mantinha contato direto com integrantes da facção.

As investigações da Operação Sequaz, no Paraná, mostraram que dois dos cinco líderes da chamada célula Restrita 05 – grupo que executa ações sensíveis – usavam telefone com prefixo boliviano.

Na Bolívia, além dos cartéis locais, há presença de cartéis do México, de representantes das máfias, como as da Itália e as dos países dos Balcãs e de facções brasileiras.

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