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Megaoperação mira bets ilegais que movimentaram R$ 739 mi

Polícia investiga lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada; Justiça determinou bloqueio de até R$ 3,4 bilhões

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Por Pedro Canguçu
Força-tarefa mobilizou 200 policiais civis no DF e em cinco estados | Divulgação/PCDF

Força-tarefa mobilizou 200 policiais civis no DF e em cinco estados | Divulgação/PCDF

Um esquema de apostas ilegais que teria movimentado R$ 739 milhões utilizava dezenas de empresas de fachada, incluindo uma clínica de assistência psicossocial e uma loja de tarô, para receber e movimentar dinheiro de apostadores. A rede é alvo da operação Azzardo, deflagrada na manhã desta quinta-feira (5) pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor), da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).

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A ação mobiliza cerca de 200 policiais civis no DF e em outros cinco estados. Somente no Distrito Federal, são cumpridos 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 3,483 bilhões em contas e ativos financeiros dos investigados.

As investigações começaram há cinco meses, após o Ministério da Fazenda identificar plataformas de apostas, conhecidas como bets, que funcionavam sem autorização federal. Segundo a polícia, os pagamentos por Pix eram direcionados a empresas com endereços em Sobradinho, Sobradinho II e Ceilândia.

Durante as diligências, os investigadores encontraram imóveis vazios e estabelecimentos diferentes dos declarados. Em um único lote de Ceilândia, dez empresas utilizavam o mesmo telefone. Os valores recebidos eram redistribuídos entre pessoas, empresas e instituições financeiras, inclusive com conversão em criptoativos.

Justiça também determinou bloqueio de até R$ 3,483 bilhões em contas e ativos financeiros dos investigados | Divulgação/PCDF
Justiça também determinou bloqueio de até R$ 3,483 bilhões em contas e ativos financeiros dos investigados | Divulgação/PCDF

A investigação também identificou uma fintech de São Paulo, autorizada pelo Banco Central, que mantinha contas utilizadas por empresas suspeitas de integrar o esquema. Informações financeiras da instituição e de empresas do mesmo grupo apontam movimentações de aproximadamente R$ 1 bilhão.

A fintech, duas empresas do grupo e seus dirigentes estão entre os alvos da operação. O bloqueio judicial atinge apenas recursos próprios da instituição, preservando as contas de clientes não investigados. A apuração também envolve três empresas com autorizações de loterias estaduais da Paraíba e do Rio de Janeiro, que não abrangiam os sites investigados.

O Juízo das Garantias de Sobradinho determinou o bloqueio de contas e ativos financeiros de 64 pessoas físicas e 120 pessoas jurídicas, até o limite global de R$ 3,483 bilhões. A decisão também prevê a suspensão dos registros de 100 empresas e empresários individuais, a proibição de abertura de novas contas bancárias pelos investigados durante 90 dias e a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 165 pessoas físicas e jurídicas.

Além do DF, a operação ocorre em São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte. Os policiais buscam documentos, equipamentos eletrônicos e informações sobre criptoativos para rastrear os recursos.

Os investigados poderão responder por exploração de loteria não autorizada, estelionato mediante fraude eletrônica, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa. As penas somadas podem chegar a 33 anos de prisão.

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