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Bets: Padilha defende saúde acima de interesses econômicos

No STF, ministro disse que proibição das apostas deve ser mantida e que há alternativas para compensar as perdas financeiras do setor esportivo

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Por Jessica Cardoso
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante audiência pública no STF sobre o fim das bets | Reprodução/YouTube @STF_oficial

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante audiência pública no STF sobre o fim das bets | Reprodução/YouTube @STF_oficial

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu nesta terça-feira (3) que a saúde pública deve prevalecer sobre os interesses econômicos na discussão sobre a proibição das apostas esportivas online, conhecidas como bets, no Brasil.

Durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro argumentou que a manutenção da medida é necessária para evitar casos de dependência, suicídios e violência familiar associados às apostas.

Ao comentar os argumentos apresentados por representantes do setor esportivo sobre as perdas financeiras provocadas pela saída das empresas de apostas, Padilha afirmou que sua preocupação está voltada às pessoas afetadas pelo vício. O ministro citou especialmente as mulheres que, segundo ele, enfrentam dificuldades para procurar ajuda médica.

“Certamente, tem outras soluções que podem resolver a briga do representante do time de futebol aqui. [...] a única e a melhor solução para a briga de evitar suicídios, pessoas viciadas, violência familiar é mantermos a proibição das bets”, disse.

Padilha também mencionou pesquisas que, segundo ele, apontam que as apostas aumentam em 15 vezes o risco de suicídio. O ministro afirmou que profissionais de saúde têm observado um crescimento na procura por atendimento relacionado à ludopatia, termo utilizado para definir a dependência em jogos de azar.

Na audiência, o ministro apresentou dados sobre o alcance das apostas no país. Segundo os números citados por ele, 28 milhões de brasileiros apostaram nos 12 meses anteriores, dos quais 11 milhões apresentaram padrões de risco ou comportamento problemático.

Padilha também informou que a procura por atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) relacionada à dependência em apostas aumentou mais de 200% entre 2018 e 2026. Além disso, 1,2 milhão de pessoas solicitaram a autoexclusão das plataformas, mecanismo que permite ao usuário bloquear o próprio acesso aos sites de apostas.

Outro dado apresentado foi o número de pessoas atendidas pelo serviço de teleatendimento criado pelo Ministério da Saúde para quem enfrenta problemas relacionados às apostas. Entre julho e setembro, cerca de 30 mil pessoas procuraram o serviço.

Ao defender a manutenção da proibição, Padilha também afirmou que a legalização das apostas não trouxe melhora nos indicadores de saúde dos países que adotaram esse modelo.

“Todos os países que legalizaram as bets pioraram seus indicadores de saúde em relação às bets. Não teve nenhum que teve melhora”, afirmou.

O ministro acrescentou que a redução da publicidade das plataformas também não apresentou resultados positivos nos indicadores de saúde dos países que adotaram essa estratégia.

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