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ICE ameaça prender quem votar ilegalmente na eleição dos EUA

Em meio às 'midterms', Trump insiste que o voto de pessoas sem cidadania americana é disseminado, embora levantamentos mostrem que casos são raros

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Por Sofia Pilagallo
Eleitores votam nas eleições de meio de mandato na Califórnia | Foto: Evelyn Hockstein/Reuters - 02.11.2026

Eleitores votam nas eleições de meio de mandato na Califórnia | Foto: Evelyn Hockstein/Reuters - 02.11.2026

O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) ameaçou rastrear, prender e processar quem votar ilegalmente nas eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. O órgão publicou o alerta nesta terça-feira (3), enquanto os americanos iam às urnas para definir a composição do Congresso.

"Se você votar ilegalmente, vamos encontrá-lo. Vamos rastreá-lo, prendê-lo e processá-lo", escreveu o ICE no X (antigo Twitter). "Não haverá escapatória."

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A mensagem ecoa uma alegação falsa que o presidente Donald Trump repete há anos sobre a suposta participação em larga escala de pessoas sem cidadania americana nas eleições. Estudos e levantamentos de registros oficiais indicam que esses casos são raros.

Na reta final da campanha, a agência Reuters identificou mais de 100 intimações expedidas pelo governo Trump para obter registros de dezenas de milhares de eleitores em pelo menos 13 estados. A agência também apurou que, desde a volta de Trump à Casa Branca, promotores federais acusaram pelo menos 147 pessoas de votar ilegalmente com base na lei que proíbe o voto de quem não tem cidadania americana.

Na véspera da eleição, a Suprema Corte rejeitou um pedido do governo Trump para suspender a contagem de votos enviados pelo correio por mais de 20 mil eleitores registrados na Califórnia. O Departamento de Justiça queria manter as cédulas fora da apuração até verificar a cidadania dos eleitores incluídos em uma lista federal.

Autoridades eleitorais da Califórnia questionaram a confiabilidade da lista e alertaram que a medida poderia atingir eleitores aptos a votar. Em outra decisão, no mesmo dia, o juiz federal James Boasberg concluiu que as listas do governo incluíam pessoas classificadas erroneamente como não cidadãs e determinou que o governo parasse de exigir que o estado separasse as cédulas desses eleitores.

A ofensiva sobre os cadastros estaduais faz parte de uma série de iniciativas do governo Trump para mudar as regras eleitorais dos EUA. Em março de 2025, o presidente assinou um decreto que previa a exigência de passaporte ou outro documento que comprovasse a cidadania americana para quem usasse o formulário federal de cadastro eleitoral.

O mesmo decreto buscava impedir a contagem de votos enviados pelo correio que chegassem depois do dia da eleição, mesmo quando as cédulas tivessem sido postadas dentro do prazo. Em 24 de junho deste ano, a juíza federal Denise Casper barrou tanto essa restrição quanto a exigência de comprovação de cidadania no cadastro.

Em abril, a Califórnia também ajudou a liderar uma ação contra um segundo decreto de Trump, que buscava restringir o envio de cédulas pelo correio a eleitores em listas federais. Os estados alegaram que a medida invadia sua competência para administrar as eleições. Em 25 de junho, a Justiça federal bloqueou trechos do decreto nos estados autores da ação, com efeito sobre as eleições de novembro.

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