Brasil

Maioria avalia que Lula deve proibir exploração de petróleo na Foz do Amazonas, mostra Datafolha

Petrobras busca perfurar poço exploratório na região para verificar existência de reservas petrolíferas; rejeição é mais expressiva entre jovens de até 24 anos

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Reuters
13/10/2025, 11:51 • Atualizado em 13/10/2025, 11:53
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Petrobras | Divulgação

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A maioria dos brasileiros avalia que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deveria proibir a exploração de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, uma região com vários desafios socioambientais, mas com elevado potencial petrolífero, apontou uma pesquisa nacional do instituto Datafolha enviada com exclusividade à Reuters.

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O levantamento, encomendado pela organização de responsabilização corporativa Ekō, indica a avaliação de 2.005 brasileiros antes do evento climático COP30, em Belém, no próximo mês.

Segundo o levantamento, realizado entre os dias 8 e 9 de setembro, 61% dos entrevistados opinaram que Lula deveria proibir a extração de petróleo na Foz do Amazonas, em momento em que a Petrobras busca perfurar um poço exploratório na região para verificar a existência de reservas petrolíferas.

A rejeição é ainda mais expressiva entre os jovens de até 24 anos, faixa etária em que 73% são contra o projeto, que aguarda há anos por licenciamento ambiental, ainda sem o aval do órgão ambiental federal Ibama.

Com o poço, em águas profundas do Amapá, a Petrobras quer investigar um amplo potencial identificado pela indústria para descobertas de reservas de petróleo, com expectativa de abrir uma nova fronteira exploratória. As perguntas da pesquisa não mencionam a estatal petrolífera.

Entretanto, a companhia vem enfrentando forte resistência de grupos da sociedade e até mesmo de parte de integrantes do governo federal, embora o presidente Lula tenha defendido publicamente diversas vezes o direito de o Brasil conferir o potencial de reservas de petróleo na área.

O Ibama afirmou ao final de setembro ter aprovado um simulado de emergência na área onde o poço será perfurado, mas solicitou ajustes à Petrobras, antes de apresentar sua decisão final sobre o licenciamento. A empresa ainda aguarda uma resposta do órgão ambiental.

Enquanto isso, a Petrobras já acumulava gastos, até a semana passada, de cerca de R$ 180 milhões para manter um navio sonda de prontidão na Bacia da Foz do Amazonas, enquanto aguarda decisão do Ibama sobre se poderá perfurar na região, conforme reportagem da Reuters.

Apesar das dificuldades da Petrobras avançar na Foz do Amazonas, o governo continua a ofertar áreas e as petroleiras seguem com amplo interesse em desbravar a região. Em junho deste ano, Petrobras, ExxonMobil, Chevron e CNPC arremataram 19 de 47 blocos exploratórios de petróleo e gás ofertados na bacia.

Contra o petróleo

Em nota, ao divulgar a pesquisa encomendada ao Datafolha, a Ekō demonstra sua oposição aos planos de se abrir uma nova fronteira petrolífera na região amazônica, acrescentando que o levantamento indica a oposição de boa parte dos brasileiros.

"Os próximos meses serão decisivos para o legado de Lula. A maioria dos eleitores brasileiros quer que ele proteja a natureza e o clima, mas, no momento, ele está deixando que as empresas poluidoras tomem as decisões", disse a coordenadora de campanhas da Ekō, Vanessa Lemos, em nota.

"Com apenas alguns anos restantes para reduzir rapidamente as emissões e preservar ecossistemas frágeis como a Amazônia, Lula precisa parar de defender os poluidores e cumprir as ambiciosas ações climáticas prometidas e pelas quais a população tanto anseia."

De forma mais geral, a pesquisa também apontou um amplo apoio público à proteção da floresta amazônica, já que 77% dos entrevistados disseram concordar com a meta do governo Lula de acabar com todo o desmatamento ilegal até 2030. Entretanto, apenas 17% acreditam que o governo conseguirá cumprir esse objetivo.

Também na pesquisa, 60% avaliaram que os efeitos das mudanças climáticas, como enchentes e ondas de calor, estão causando um impacto negativo sobre eles e suas famílias e 81% dos entrevistados acreditam que o governo deveria fazer mais para proteger as comunidades marginalizadas das mudanças climáticas.

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