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EUA atacam Irã após morte de militares; Teerã revida

Bombardeios norte-americanos atingiram alvos militares, enquanto drones iranianos miraram bases no Golfo

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Camila Stucaluc
Ataque dos Estados Unidos atingiu alvos militares no Irã | Divulgação/Centcom

Ataque dos Estados Unidos atingiu alvos militares no Irã | Divulgação/Centcom

Os Estados Unidos realizaram uma nova onda de ataques contra o Irã na noite de domingo (19), pelo nono dia consecutivo. Segundo o Comando Central das Forças Armadas, foram atingidos locais de defesa aérea e vigilância, capacidades marítimas e redes de comunicação.

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"Os bombardeios continuarão com o objetivo de degradar as capacidades militares iranianas utilizadas em ataques contra embarcações comerciais e marítimos civis que transitam pelo Estreito de Ormuz. Nossas forças permanecem altamente vigilantes, focadas, letais e prontas”, diz o comunicado.

Em resposta, o Irã lançou uma nova onda de mísseis e drones contra bases militares dos Estados Unidos no Golfo Pérsico. No Bahrein, o governo ativou sirenes de ataque aéreo para alertar a população, enquanto no Kuwait, defesas aéreas foram mobilizadas para conter os drones iranianos.

A Guarda Revolucionária do Irã também afirmou ter lançado um "ataque surpresa" a um “centro de comando inimigo” na região de Al-Tanf, na Síria, segundo comunicado divulgado pela agência estatal Irna.

Além disso, reforçou o fechamento do Estreito de Ormuz, dizendo que “nem uma gota” de petróleo ou gás transitará pela rota marítima se a agressão norte-americana continuar. “Essa passagem não será segura para o trânsito de produtos petroquímicos, nem mesmo para uma única gota de petróleo e gás”, disse a guarda iraniana.

A nova troca de hostilidades entre os países ocorre após dois militares norte-americanos morrerem em um ataque iraniano a uma base dos Estados Unidos na Jordânia, na última sexta-feira (17). Um terceiro militar morreu no sábado (18), no Iraque, em uma detonação controlada de um explosivo vindo de um drone iraniano.

Em declaração à jornalistas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os ataques norte-americanos atingiram o Irã em "homenagem" aos soldados mortos. "Nós os atacamos muito forte de novo hoje à noite. E fizemos isso em homenagem aos grandes patriotas", disse.

Diplomacia

Apesar dos ataques, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse que o governo está aberto à diplomacia com o Irã. Segundo ele, o diálogo depende, no entanto, do “comportamento” do Irã.

“Os Estados Unidos sempre permanecem abertos a uma solução diplomática. Já tentamos várias vezes com o Irã e continuaremos tentando. Eles continuam enviando sinais de que querem conversar, de que querem negociar, mas é ao comportamento deles que estamos respondendo, e o comportamento deles é o lançamento de mísseis e drones contra navios”, disse Rubio.

Entenda

Estados Unidos e Irã voltaram a trocar hostilidades no início de julho, em meio à disputa pelo controle do Estreito de Ormuz. A rota marítima, que fica entre o Irã e a Península Arábica, é responsável por cerca de 20% do petróleo mundial.

O primeiro ataque foi feito por Washington, em retaliação ao que chamou de “ofensiva iraniana” contra três petroleiros que navegavam pelo Estreito de Ormuz. Teerã respondeu lançando mísseis contra bases militares norte-americanas no Golfo Pérsico, resultando em novas retaliações.

Os ataques colocam em xeque o memorando de entendimento assinado pelos países em junho, que visava ampliar o cessar-fogo e restabelecer o tráfego marítimo na via navegável. A trégua também vinha para incentivar as delegações a avançarem nas negociações para um acordo definitivo.

Além do impacto militar na região, a escalada no Estreito de Ormuz já afeta diretamente o mercado global de energia, pressionando os preços do petróleo.

No início desta segunda-feira (20), o preço do barril do tipo Brent, referência internacional, chegou a US$ 90,75 nas negociações asiáticas, enquanto o índice de referência norte-americano West Texas Intermediate subiu 2,39%, chegando a $84,46. Sem o impacto da guerra, os produtos costumam ser cotados entre US$ 50 e US$ 75.

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