Justiça do Rio derruba indenização de Flávio Bolsonaro a Chico Buarque
Sentença de primeira instância determinava que o senador pagasse R$ 48 mil ao cantor por danos morais
J
Jésus Mosquéra
03/04/2024, 00:26 • Atualizado em 03/04/2024, 14:14
compartilhar
A 4ª Turma Recursal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) derrubou uma decisão de primeira instância, na qual o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) havia sido condenado a indenizar o cantor e compositor Chico Buarque por danos morais. O artista processou o parlamentar por uso indevido de imagem durante as eleições de 2022.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
O senador publicou uma montagem com a icônica imagem de capa do disco Chico Buarque de Hollanda, lançado em 1966. A imagem mostra duas fotos lado a lado, uma com o artista sério e outra com ele sorrindo. A composição é frequentemente usada em memes na internet.
Na publicação de Flávio, ele menciona supostas prisões políticas de correligionários do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). E associa Chico Buarque a um suposto “roubo dos pobres”, em referência a eleitores do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva.
Processo
Ao processar o senador, Chico sustentou que “a publicação consiste em uso não autorizado e indevido de sua imagem, em contexto que achaca sua honra e mancha sua reputação”. Flavio Bolsonaro foi condenado, em agosto de 2023, pela juíza Keyla Blank, do 6º Juizado Especial Cível da Comarca da Lagoa, no Rio de Janeiro (RJ). A magistrada fixou a indenização em R$ 48 mil.
Ao recorrer da sentença, Flavio Bolsonaro alegou que a publicação “não ofende ninguém, mas possui reflexão sobre a situação política do País”. Para o relator do recurso, Paulo Roberto Campos Fragoso, a indenização era cabível, mas ele propôs a redução da indenização de R$ 48 mil para R$ 15 mil.
Fragoso foi voto vencido. Por maioria, a 4ª Turma Recursal do TJRJ concluiu que a publicação “comporta uma única imagem, sem críticas objetivas e diretas ao autor da ação, não guarnecendo conteúdo ofensivo diretamente à parte”. Os magistrados entenderam também que a petição inicial da ação apontam “ausência de autoria comprovada de criação do meme, o que afastaria o dever de indenizar”.
Recurso
O advogado João Tancredo, que representa Chico, anunciou que vai recorrer da decisão, no intuito de restabelecer a condenação ao senador. "É lamentável que se prestigie o uso indevido de imagem em campanha política e a violação à honra do artista. A decisão da Turma Recursal, além de isolada, acaba por chancelar uma ideia de que a internet é terra sem lei, na contramão de todos os esforços coletivos contra a desinformação tão recorrente nos dias atuais. Iremos recorrer", respondeu o advogado ao SBT News.
Justiça do Rio derruba indenização de Flávio Bolsonaro a Chico BuarqueSentença de primeira instância determinava que o senador pagasse R$ 48 mil ao cantor por danos moraisBrasil2024-04-03T00:26:17.549ZA 4ª Turma Recursal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) derrubou uma decisão de primeira instância, na qual o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) havia sido condenado a indenizar o cantor e compositor Chico Buarque por danos morais. O artista processou o parlamentar por uso indevido de imagem durante as eleições de 2022. O senador publicou uma montagem com a icônica imagem de capa do disco Chico Buarque de Hollanda, lançado em 1966. A imagem mostra duas fotos lado a lado, uma com o artista sério e outra com ele sorrindo. A composição é frequentemente usada em memes na internet. Na publicação de Flávio, ele menciona supostas prisões políticas de correligionários do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). E associa Chico Buarque a um suposto “roubo dos pobres”, em referência a eleitores do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva. Processo Ao processar o senador, Chico sustentou que “a publicação consiste em uso não autorizado e indevido de sua imagem, em contexto que achaca sua honra e mancha sua reputação”. Flavio Bolsonaro foi condenado, em agosto de 2023, pela juíza Keyla Blank, do 6º Juizado Especial Cível da Comarca da Lagoa, no Rio de Janeiro (RJ). A magistrada fixou a indenização em R$ 48 mil. Ao recorrer da sentença, Flavio Bolsonaro alegou que a publicação “não ofende ninguém, mas possui reflexão sobre a situação política do País”. Para o relator do recurso, Paulo Roberto Campos Fragoso, a indenização era cabível, mas ele propôs a redução da indenização de R$ 48 mil para R$ 15 mil. Fragoso foi voto vencido. Por maioria, a 4ª Turma Recursal do TJRJ concluiu que a publicação “comporta uma única imagem, sem críticas objetivas e diretas ao autor da ação, não guarnecendo conteúdo ofensivo diretamente à parte”. Os magistrados entenderam também que a petição inicial da ação apontam “ausência de autoria comprovada de criação do meme, o que afastaria o dever de indenizar”. Recurso O advogado João Tancredo, que representa Chico, anunciou que vai recorrer da decisão, no intuito de restabelecer a condenação ao senador. "É lamentável que se prestigie o uso indevido de imagem em campanha política e a violação à honra do artista. A decisão da Turma Recursal, além de isolada, acaba por chancelar uma ideia de que a internet é terra sem lei, na contramão de todos os esforços coletivos contra a desinformação tão recorrente nos dias atuais. Iremos recorrer", respondeu o advogado ao SBT News.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/justica-do-rio-derruba-indenizacao-de-flavio-bolsonaro-a-chico-buarque