Ibama pede mais informações da Petrobras em licenciamento da Foz do Amazonas e marca reunião
Petroleira busca há anos uma licença para perfurar na Bacia da Foz do Amazonas; maioria dos brasileiros é contra a exploração de petróleo na região

SBT News
com informações da Reuters
O órgão ambiental federal Ibama decidiu pedir mais informações à Petrobras no âmbito do processo de licenciamento para a perfuração de um poço na Bacia da Foz do Amazonas, e sugeriu uma reunião para quinta-feira (16). A informação é da agência de notícias Reuters.
A decisão ocorre após um novo parecer técnico do órgão, anexado ao processo nessa segunda (13), apontar que ainda há "pendências e incertezas" quanto às informações apresentadas nos planos de Emergência Individual e de Proteção à Fauna pela petroleira estatal.
O Ibama havia aprovado um teste de resposta a emergências realizado pela Petrobras em agosto, mas solicitou ajustes antes de decidir sobre se concederá a licença ou não. A petroleira havia respondido em 26 de setembro.
Em nota, a Petrobras informou, nesta quarta-feira (15) que irá atender a todos os questionamentos do Instituto, "conforme vem fazendo desde o início do processo e em completo respeito às exigências do processo de licenciamento ambiental". Disse ainda que durante esta semana serão realizadas diversas reuniões para esclarecimentos técnicos do processo de licenciamento e que "segue confiante que a licença de operação será emitida em breve, como resultado do trabalho conjunto da companhia e do Ibama".
A petroleira busca há anos uma licença para perfurar na Bacia da Foz do Amazonas, em região onde a indústria petroleira acredita ser possível haver grandes reservas capazes de abrir uma nova fronteira exploratória. Entretanto, a área tem enormes desafios socioambientais e sua exploração enfrenta forte resistência de grupos da sociedade e até mesmo de parte do governo federal.
Uma pesquisa nacional do Instituto Datafolha mostrou que a maioria dos brasileiros avalia que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deveria proibir a exploração de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas.
O levantamento, encomendado pela organização de responsabilização corporativa Ekō, indica a avaliação de 2.005 brasileiros antes do evento climático COP30, em Belém, no próximo mês.
Pesquisa
Em nota, a Petrobras disse que não teve acesso ao material elaborado pelo Datafolha sobre a opinião de entrevistados no caso da Foz do Amazonas.
Veja íntegra:
"A Petrobras tomou conhecimento da pesquisa realizada pelo Datafolha por meio da imprensa, não sendo possível fazer qualquer comentário sobre a enquete. A companhia não teve acesso ao material, desconhecendo premissas e metodologia utilizados. Contudo, os resultados causam estranheza, pois são bastante divergentes de uma série de pesquisas de opinião realizadas pela Petrobras sobre Margem Equatorial nos últimos anos.
A Petrobras realiza, em parceria com instituto de pesquisa independente, pesquisas periódicas com a população para avaliar o conhecimento sobre a Margem Equatorial, medir a favorabilidade aos investimentos e mapear preocupações sobre impactos socioambientais.
O levantamento mais recente, conduzido no segundo trimestre de 2025, mostra que o tema ainda é pouco conhecido pela população. Muitos entrevistados associam equivocadamente as operações à foz do rio Amazonas. Na realidade, os blocos se distribuem por uma ampla faixa do litoral brasileiro, em áreas marítimas distantes de manguezais e ecossistemas sensíveis. No Amapá, por exemplo, o bloco em avaliação fica em águas profundas, a cerca de 160 km da costa e mais de 500 km da foz do Amazonas.
Apesar do conhecimento limitado, a pesquisa aponta alta confiança na Petrobras e no Ibama para decidir sobre a exploração. A maioria reconhece a expertise da companhia e considera que ela atua com responsabilidade socioambiental. Dentre os participantes, aqueles que conhecem os benefícios socioeconômicos de eventuais operações futuras na Margem Equatorial são mais favoráveis ao tema.
Os benefícios percebidos superam os receios: geração de empregos, melhoria da infraestrutura, apoio a projetos ambientais e atração de investimentos. Nos próximos cinco anos, são previstos investimentos de US$ 3,1 bilhões para 16 poços na região.
A Petrobras reforça que o debate deve se basear em informação qualificada, considerando que desenvolvimento e proteção ambiental podem coexistir com segurança, transparência e rigor técnico. A companhia tem como valor o respeito à vida, às pessoas e ao meio ambiente, e executa todas as suas operações com segurança, total respeito e cuidado com o meio ambiente e com a população para proporcionar um impacto social positivo nas comunidades onde atua."









