Uma semana após prisão, Bolsonaro mantém direita sem rumo e sucessão indefinida para 2026
Aliados aguardam sinal do ex-presidente para definir candidato; governadores e nomes da família disputam espaço


Victória Melo
O ex-presidente Jair Bolsonaro completa, neste sábado (29), uma semana preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
A indefinição sobre quem será o seu sucessor político mantém a direita sem rumo para as eleições presidenciais de 2026 e já provoca divisões internas no campo bolsonarista.
Bolsonaro continua sendo a principal liderança da direita no país e, segundo aliados, nenhuma decisão será tomada sem sua autorização.
Governadores alinhados ao ex-presidente, além de integrantes da própria família Bolsonaro, aparecem entre os nomes cotados, mas não há consenso sobre o momento ou sobre quem deve herdar a vaga. A orientação do PL é clara: a escolha será exclusivamente de Bolsonaro.
Para o vice-líder da minoria, deputado Carlos Jordy (PL-RJ), a prioridade não é a sucessão eleitoral, mas a votação da anistia aos investigados e condenados pelos atos de 8 de janeiro.
“Não entendemos que agora seja o momento apropriado para discutir sucessão. Queremos votar a anistia e libertar o presidente. “A direita só vai decidir o nome para 2026 após trabalharmos e concretizarmos a votação da anistia.” afirmou.
Quem será o possível sucessor?
Segundo o professor de políticas públicas da USP, Pablo Ortellado, o bloco bolsonarista trabalha atualmente com cinco nomes principais:
- Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo
- Ratinho Júnior, governador do Paraná
- Ronaldo Caiado, governador de Goiás
- Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama
- Flávio Bolsonaro, senador e filho do ex-presidente
Ortellado avalia que nenhum dos nomes é viável eleitoralmente sem o apoio direto de Jair Bolsonaro.
“O pool de candidatos dificilmente sairá desses cinco. E nenhum deles é viável numa aventura presidencial isolada. Eles precisarão do endosso do Jair Bolsonaro.”
Para o pesquisador, a escolha dependerá de negociações internas, alianças regionais e da capacidade do candidato de manter o capital político do sobrenome Bolsonaro.
“Pode ser, por exemplo, Tarcísio como cabeça de chapa e alguém da família Bolsonaro como vice, para garantir que o nome não desapareça”, explicou.
Os governadores interessados em disputar a Presidência precisam deixar os cargos até abril de 2026, mas nenhum deles deve se antecipar antes de um sinal explícito de Bolsonaro.
A avaliação interna é que qualquer movimento precipitado pode causar ruído com a base mais fiel do ex-presidente.
Aliados próximos afirmam que a definição deve sair no início de 2026, dependendo da estratégia jurídica da defesa e do impacto da prisão no tabuleiro político.
Mesmo preso, Bolsonaro continua sendo visto como o principal cabo eleitoral da direita.
“Quem quer que seja indicado por Bolsonaro entrará na disputa com chances reais de chegar competitivo ao segundo turno”, diz Ortellado.









