Brasil

Extremos climáticos: o que esperar para 2026 em São Paulo?

“É uma previsão extremamente complexa”, diz Rafael Le Masson, do Inmet, sobre chuvas nos próximos meses

Avatar de Naiara Ribeiro
Naiara Ribeiro

Calor recorde e tempestades severas: será que o Brasil vive um novo “normal climático”? O meteorologista do Inmet Rafael Le Masson, em entrevista ao SBT News, faz uma análise do que pode ser esperado para 2026, que deve começar com incerteza no clima e possibilidade de crise hídrica na maior cidade do país.

Chuva nos próximos meses

A previsão de chuvas nos próximos meses é um tema que tem gerado preocupação. Rafael diz que a perspectiva para a região Sudeste é de chuvas ligeiramente abaixo da média, como tem acontecido nos últimos dois anos. Mas não necessariamente serão chuvas bem distribuídas.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.

Siga no Google Discover
“Na média, a expectativa é que haja um bom nível de volume de chuva, mas elas acontecem de maneira não uniforme. A média deve se restabelecer na região Norte do Brasil, mas ainda é um pouco prematuro dizer, porque estamos vivendo em uma neutralidade em relação ao fenômeno de oscilação do El Niño”, avalia.
Onda de calor | Reprodução/Freepik
Onda de calor | Reprodução/Freepik

Crise hídrica em SP

Sobre a crise hídrica na Região Metropolitana de São Paulo, que teve piora nos últimos dias por conta da onda de calor, o especialista diz que a previsão ainda é de chuvas abaixo da média. "Mas, como dissemos, estamos na neutralidade do El Nino e dependemos de fenômenos transientes. Para a semana que vem, podemos esperar o fenômeno da zona de convergência do Atlântico Sul e com isso ter uma ‘recarga’ [de água]."

"Só que o problema de recarga dos reservatórios é muito mais complexo, porque podemos ter um cenário com bastante chuvas pontuais, mas não necessariamente suficientes para recarga de um reservatório que depende de uma bacia.”

Investimentos em tecnologia

O meteorologista ressalta a importância de investimento em equipamentos para a previsão do tempo. Ele cita como exemplo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que recebeu o supercomputador Jáci, que consegue precisar a localidade dos principais pontos onde ocorrerão extremos climáticos, para orientar a população.

Instalado na unidade de Cachoeira Paulista, no interior de São Paulo, ele vai substituir o atual computador, o Tupã. “Nós fazemos a previsão meteorológica a partir dos dados que coletamos da atmosfera. Isso ajuda a entender como é que vai ser para semana que vem ou para daqui um mês, por exemplo".

"Esses dados vão para o supercomputador, que nos dá projeções. É um equipamento super bem-vindo e que vai auxiliar muito. Nossas previsões já são muito boas, mas precisamos prever com maior taxa de frequência de atualização e o maior alargamento para poder antecipar principalmente os fenômenos adversos que sempre trazem transtornos”, conclui o meteorologista.

Últimas notícias