Justiça de SP nega prisão temporária a donos de academia onde aluna morreu
Juliana Faustino, de 28 anos, teve uma parada cardíaca e não resistiu após fazer uso de uma piscina na C4 Gym, zona leste da capital paulista

Sofia Pilagallo
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) negou, nesta sexta-feira (13), o pedido de prisão temporária dos donos da academia onde uma aluna morreu e ao menos seis passaram mal após uma aula de natação. Juliana Faustino, de 28 anos, teve uma parada cardíaca e não resistiu após fazer uso de uma piscina na C4 Gym, no bairro Parque São Lucas, zona leste da capital paulista.
Na quarta-feira (11), a Polícia Civil indiciou Celso Bertolo Cruz, César Bertolo Cruz e Cezar Augusto Miquelof Terração e pediu a prisão preventiva dos acusados. No mesmo dia, a defesa deles solicitou à Justiça o indeferimento do pedido, alegando que os três compareceram espontaneamente ao 42º Distrito Policial para prestar depoimento na data previamente agendada.
A Justiça acatou o pedido, mas condicionou a liberdade dos acusados a medidas cautelares. Eles deverão comparecer mensalmente em juízo para informar o endereço atualizado e estão proibidos de se aproximar ou entrar em contato com testemunhas, bem como de se ausentar da comarca por mais de sete dias sem autorização.
No pedido de prisão, a polícia argumentou que os três acusados dificultaram a investigação porque não deram acesso aos produtos químicos usados na piscina, nem informaram a relação de alunos que frequentavam as aulas de natação. Eles também não procuraram a polícia, sendo que a delegacia mais próxima fica do outro lado da rua.
'Eles simplesmente desapareceram'
Ao SBT News, Felipe de Oliveira, irmão de Vinícius de Oliveira, viúvo de Juliana, afirmou que o caso só chegou até a polícia porque familiares das vítimas procuraram a delegacia para registrar um boletim de ocorrência. Ele revelou ainda que os funcionários da C4 Gym deixaram o local antes mesmo da chegada do socorro.
Felipe contou que, no caminho ao hospital, Vinícius ligou aos pais e pediu que fossem buscar os pertences do casal deixados para trás, mas a C4 Gym já estava fechada quando Hélio e Rosângela chegaram ao local. Havia um bombeiro em frente ao estabelecimento, mas nem mesmo ele conseguiu entrar. Por esse motivo, a ocorrência de socorro sequer chegou a ser registrada.
"Eles simplesmente desapareceram. E a academia fica em frente ao 42º Distrito Policial. Eles poderiam ter feito um boletim de ocorrência, prestado alguma satisfação do que havia ocorrido e simplesmente não o fizeram", relatou Felipe, ressaltando que, em nenhum momento, a academia entrou em contato com a família para prestar qualquer tipo de assistência.
"É isso o que tem nos deixado mais revoltados: o fato de eles estarem insistindo em alegar para a imprensa que estão prestando toda a assistência às famílias das vítimas. Isso é mentira. A gente nunca ouviu de nenhum deles, sequer sabe quem eles são. E a gente também não tem os procurado porque a obrigação seria deles de nos procurar", acrescentou.









