Brasil

Estudantes de medicina estendem faixa com alusão a estupro em jogo universitário

Faculdade Santa Marcelina, de São Paulo, confirmou que alunos são integrantes da Atlética da universidade; caso aconteceu no sábado (15)

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Emanuelle Menezes
18/03/2025, 15:55 • Atualizado em 19/03/2025, 13:22
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Alunos de medicina da Faculdade Santa Marcelina seguram faixa com alusão à estupro em evento esportivo | Reprodução

Alunos de medicina da Faculdade Santa Marcelina seguram faixa com alusão à estupro em evento esportivo | Reprodução

Estudantes de medicina da Faculdade Santa Marcelina, de São Paulo, foram fotografados estendendo uma faixa com a frase "entra porr*, escorre sangue" durante uma competição universitária no último sábado (15). A expressão, que faz parte de um antigo "hino" banido pela instituição, remete ao crime de estupro.

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O jogo universitário de Handebol fazia parte da Intercalo – evento de competição esportiva entre calouros de quatro faculdades de medicina de São Paulo.

O Coletivo Feminista Francisca, composto por alunas de medicina da universidade, encaminhou uma denúncia formal à direção do curso. No documento, o grupo – que conta com 150 integrantes – relembra que a antiga canção da Associação Atlética Acadêmica Pedro Vital (AAAPV) foi proibida em 2017 após denúncias do coletivo.

"O referido hino faz diversas alusões ao estupro, em especial a parte elegida para constar na bandeira – "entra porr* e sai sangue" – isto é, o prazer de uma pessoa é relacionado à dor de outra", diz a denúncia.
Alunos de medicina da Faculdade Santa Marcelina seguram faixa com alusão à estupro em evento esportivo | Reprodução
Alunos de medicina da Faculdade Santa Marcelina seguram faixa com alusão à estupro em evento esportivo | Reprodução

A música, além de trazer outros trechos que fazem alusão à violência sexual, também menciona relações sexuais com freiras da igreja que administra a instituição. "Vem irmãzinha, pega no meu pa*", diz outra parte do hino banido.

A Faculdade Santa Marcelina afirmou, em nota publicada nos stories do Instagram, que iniciou uma sindicância interna para apurar os fatos e que os alunos responsáveis serão penalizados. "Entre as punições estão advertências verbais e escritas, suspensão e até desligamento (expulsão) da faculdade", diz a instituição. (Leia o pronunciamento, na íntegra, abaixo).

A Polícia Civil informou que nenhum registro de ocorrência foi realizado. Apesar disso, ciente do fato, a 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) instaurou inquérito policial para apurar o ocorrido. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública afirmou que a 8ª DDM "está à disposição para ouvir as denúncias".

Leia a nota da Faculdade Santa Marcelina na íntegra:

"A Faculdade Santa Marcelina se manifesta veementemente contrária ao ocorrido no último dia 15 de fevereiro, em uma competição esportiva que contou com a participação de estudantes do curso de Medicina, integrantes da Associação Atlética Acadêmica (AAAPV).

A instituição esclarece que, no ato de matrícula, o aluno aceita um compromisso formal com a faculdade, de respeito aos seus princípios éticos e morais, à dignidade acadêmica e à legislação vigente. Atitudes como essa constituem agravo à instituição e sua tradição, missão e valores e também à sociedade como um todo.

Nesse sentido, a Faculdade Santa Marcelina já iniciou um procedimento de sindicância interna para apuração dos fatos e os alunos da instituição responsáveis pelos atos (que ocorreram fora de suas dependências) serão penalizados conforme os princípios estabelecidos e a gravidade da infração. Entre as punições estão advertências verbais e escritas, suspensão e até desligamento (expulsão) da faculdade".

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