Brasil

El Niño avança e antecipa pico que deve chegar em setembro

ONU alerta para aumento do risco de ondas de calor, secas e chuvas intensas; especialista diz que Brasil deve reforçar medidas de prevenção

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André Barbeiro , Lucio Sturm
04/07/2026, 23:15 • Atualizado em 04/07/2026, 23:17
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ONU alerta para El Niño em setembro | Foto: Reprodução

ONU alerta para El Niño em setembro | Foto: Reprodução

O fenômeno El Niño já está estabelecido no Oceano Pacífico e deve se intensificar nos próximos meses, atingindo seu pico entre setembro e o início da primavera no Hemisfério Sul. O alerta foi feito pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência climática da ONU, que prevê aumento da ocorrência de ondas de calor, secas, chuvas intensas e outros eventos extremos em diversas regiões do planeta.

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Segundo o mais recente boletim da OMM, as temperaturas da superfície do mar no Pacífico Equatorial central e leste devem ultrapassar 2°C acima da média, caracterizando um episódio forte do fenômeno.

A previsão indica que o El Niño continuará se fortalecendo ao longo dos próximos meses, influenciando o clima global. Além do aquecimento do Pacífico, a OMM projeta temperaturas acima da média em grande parte das áreas continentais do planeta e mudanças no regime de chuvas, com maior probabilidade de precipitações intensas em algumas regiões e estiagem em outras.

O que isso significa?

O meteorologista Márcio Bueno, da Tempo OK, em entrevista ao SBT News, explicou que o El Niño é um fenômeno natural que ocorre de forma periódica, alternando-se com a La Niña. No entanto, ele destacou que a intensidade prevista para este episódio chama atenção. "As projeções indicam que ele pode ser o El Niño mais forte dos últimos anos. Isso é o que tem despertado maior preocupação", afirmou.

"O El Niño não é a única variável que modula o clima no planeta. O Oceano Atlântico, por exemplo, também exerce um papel muito importante, especialmente para o Brasil. Ainda estamos estudando as causas desse aquecimento tão expressivo, mas as mudanças climáticas provocadas pela ação humana podem, sim, influenciar esse comportamento", completou.

Para o Brasil, o cenário esperado segue o padrão observado em outros episódios do fenômeno: tendência de chuvas acima da média na Região Sul e parte do Sudeste, enquanto o Norte e o Nordeste podem enfrentar períodos mais secos.

"Esse é um padrão médio. Em alguns anos, as chuvas avançam mais para o Sudeste, como já vimos recentemente, atingindo estados como Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul", disse.

Além dos impactos ambientais, o fortalecimento do El Niño também pode afetar a saúde da população. O aumento das temperaturas favorece casos de desidratação, doenças cardiovasculares e problemas respiratórios, enquanto períodos de seca e queimadas agravam quadros de asma e alergias. Já episódios de chuva intensa elevam o risco de enchentes, proliferação de fungos e doenças associadas à umidade.

"Hoje o Brasil possui sistemas de previsão bastante eficientes. O principal é acompanhar os alertas meteorológicos e fortalecer obras de drenagem e outras medidas de infraestrutura para reduzir os impactos tanto do excesso quanto da falta de chuva", afirmou sobre formas de o país se preparar para enfrentar o fenômeno.

A OMM reforça que os impactos do El Niño variam conforme sua intensidade e a região afetada, mas destaca que previsões sazonais e sistemas de alerta precoce são fundamentais para salvar vidas, proteger economias e permitir que governos adotem medidas antecipadas diante da evolução do fenômeno.

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