Educação influencia voto de 71% dos brasileiros, diz IDEIA
Pesquisa ouviu 20 mil pessoas e aponta valorização de professores, ensino técnico e alfabetização entre as prioridades dos eleitores
Emanuelle Menezes
Alunos em sala de aula no Centro Integrado de Educação Pública (CIEP) 001, no Catete, na zona sul da capital fluminense | Tomaz Silva/Agência Brasil
A atuação dos governos na Educação influencia o voto de 71% dos brasileiros, segundo pesquisa do Instituto IDEIA divulgada nesta quinta-feira (3). O levantamento mostra ainda que 83% defendem que a área esteja entre as três prioridades dos governadores nos próximos quatro anos.
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A pesquisa “O que a população pensa sobre a Educação 2026” ouviu 20 mil pessoas a partir de 16 anos nos 26 estados e no Distrito Federal. O levantamento foi encomendado pela Fundação Itaú, Fundação Lemann, Instituto Natura, Instituto Sonho Grande, Instituto Unibanco e Todos Pela Educação.
Professores lideram prioridades na Educação
A valorização dos professores aparece no topo das medidas consideradas prioritárias. Melhorar os salários e as condições de trabalho dos docentes é citado por 53% dos entrevistados. Outros 37% apontam a necessidade de melhorar a formação dos professores.
A importância dos profissionais também aparece quando os entrevistados são questionados espontaneamente sobre o que caracteriza uma escola de qualidade. “Ensino de qualidade” é a resposta mais frequente, mencionada por 17,8%, seguida por professores e profissionais qualificados, preparados e comprometidos, com 13,1%.
Outras duas demandas ganham destaque: 48% apontam a ampliação dos cursos técnicos como prioridade, enquanto 47% citam a alfabetização das crianças até os 8 anos, ao final do 2º ano do Ensino Fundamental.
Quando os temas são apresentados individualmente, o apoio é ainda maior. Para 83%, a alfabetização deve ser prioridade dos candidatos nas eleições, enquanto 80% defendem a expansão do ensino técnico para ampliar as oportunidades dos jovens.
Professora de Ceilândia, no DF, intensificando a preparação em sala de aula para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) | Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
População vê problemas na aprendizagem
Segundo o levantamento, 42% afirmam que a maioria dos alunos das escolas públicas brasileiras não está aprendendo o esperado para sua idade e série. Outros 40% avaliam que os estudantes estão aprendendo, enquanto 18% não souberam ou não responderam.
A percepção sobre alfabetização também revela preocupação. Apenas 25% concordam que as crianças estão aprendendo a ler e escrever no ritmo esperado.
A avaliação das escolas públicas, porém, apresenta diferenças importantes pelo país. No conjunto da população, 45% classificam como ótima ou boa a qualidade das escolas públicas de seus estados. A proporção chega a 59% no Ceará, enquanto fica em 31% no Rio de Janeiro.
Quase metade dos entrevistados (49%) também considera que a qualidade das escolas públicas de seu estado melhorou nos últimos quatro anos. A percepção de avanço é maior no Nordeste, com 56%, e menor no Sudeste, com 43%.
Ensino técnico tem apoio de 80%
A preparação dos estudantes para depois da escola também aparece entre as preocupações. Oito em cada dez brasileiros concordam que o ensino técnico deveria ser ampliado para gerar mais oportunidades aos jovens e a mesma proporção considera que um curso técnico de qualidade aumenta as chances de conseguir uma boa vaga no mercado de trabalho.
A avaliação do que as escolas oferecem atualmente é bem menos favorável. Segundo a pesquisa, 27% concordam que a escola pública prepara bem os jovens para o Ensino Superior. Em relação à preparação para o mercado de trabalho, o percentual é de 25%.
Alunos do Senai-DF | Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ensino integral é mais conhecido entre famílias com filhos
Sete em cada dez entrevistados (71%) afirmam já ter ouvido falar do modelo de escolas públicas em tempo integral. Entre pais e responsáveis por crianças ou adolescentes, o percentual sobe para 90%.
O conhecimento sobre a política está associado a uma maior disposição para adotá-la. Entre aqueles que já ouviram falar do ensino integral, 52% matriculariam ou já têm filhos matriculados nesse modelo, ante 33% entre os que não conhecem a política. Nas classes C e D/E, os percentuais chegam a 59% e 58%, respectivamente, entre aqueles que já ouviram falar do modelo.
Os entrevistados também relacionam o período integral a benefícios que vão além da aprendizagem. Para 57%, o modelo prepara melhor os jovens para o Ensino Superior e, para 55%, melhora a preparação para o mercado de trabalho.
Outros 54% consideram que ele permite que pais e responsáveis trabalhem com mais tranquilidade, enquanto 52% veem o ensino integral como uma forma de reduzir a exposição de jovens ao recrutamento por facções e grupos criminosos.
“Em conjunto, os resultados mostram que a população brasileira demanda avanços na educação, reconhece diferenças na qualidade das escolas públicas entre os estados e aponta prioridades claras para os próximos anos”, afirma Olavo Nogueira Filho, diretor-executivo do Todos Pela Educação.
Alunos da rede municipal de ensino de Porto Alegre (RS) | Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Como foi feita a pesquisa
A pesquisa foi realizada por telefone pelo Instituto IDEIA com 20 mil brasileiros de 16 anos ou mais, entre 20 de maio e 20 de julho de 2026. A amostra considera gênero, idade, escolaridade, região, situação no mercado de trabalho, cor ou raça, religião e local de residência, entre outras características, com base no Censo 2022 e na Pnad Contínua 2025.
O intervalo de confiança estimado é de 95%, com margem de erro de aproximadamente um ponto percentual, para mais ou para menos.
Educação influencia voto de 71% dos brasileiros, diz IDEIAPesquisa ouviu 20 mil pessoas e aponta valorização de professores, ensino técnico e alfabetização entre as prioridades dos eleitoresBrasil2026-09-03T08:00:00.000ZA atuação dos governos na Educação influencia o voto de 71% dos brasileiros, segundo pesquisa do Instituto IDEIA divulgada nesta quinta-feira (3). O levantamento mostra ainda que 83% defendem que a área esteja entre as três prioridades dos governadores nos próximos quatro anos. A pesquisa “O que a população pensa sobre a Educação 2026” ouviu 20 mil pessoas a partir de 16 anos nos 26 estados e no Distrito Federal. O levantamento foi encomendado pela Fundação Itaú, Fundação Lemann, Instituto Natura, Instituto Sonho Grande, Instituto Unibanco e Todos Pela Educação. Professores lideram prioridades na Educação A valorização dos professores aparece no topo das medidas consideradas prioritárias. Melhorar os salários e as condições de trabalho dos docentes é citado por 53% dos entrevistados. Outros 37% apontam a necessidade de melhorar a formação dos professores. A importância dos profissionais também aparece quando os entrevistados são questionados espontaneamente sobre o que caracteriza uma escola de qualidade. “Ensino de qualidade” é a resposta mais frequente, mencionada por 17,8%, seguida por professores e profissionais qualificados, preparados e comprometidos, com 13,1%. Outras duas demandas ganham destaque: 48% apontam a ampliação dos cursos técnicos como prioridade, enquanto 47% citam a alfabetização das crianças até os 8 anos, ao final do 2º ano do Ensino Fundamental. Quando os temas são apresentados individualmente, o apoio é ainda maior. Para 83%, a alfabetização deve ser prioridade dos candidatos nas eleições, enquanto 80% defendem a expansão do ensino técnico para ampliar as oportunidades dos jovens. População vê problemas na aprendizagem Segundo o levantamento, 42% afirmam que a maioria dos alunos das escolas públicas brasileiras não está aprendendo o esperado para sua idade e série. Outros 40% avaliam que os estudantes estão aprendendo, enquanto 18% não souberam ou não responderam. A percepção sobre alfabetização também revela preocupação. Apenas 25% concordam que as crianças estão aprendendo a ler e escrever no ritmo esperado. A avaliação das escolas públicas, porém, apresenta diferenças importantes pelo país. No conjunto da população, 45% classificam como ótima ou boa a qualidade das escolas públicas de seus estados. A proporção chega a 59% no Ceará, enquanto fica em 31% no Rio de Janeiro. Quase metade dos entrevistados (49%) também considera que a qualidade das escolas públicas de seu estado melhorou nos últimos quatro anos. A percepção de avanço é maior no Nordeste, com 56%, e menor no Sudeste, com 43%. Ensino técnico tem apoio de 80% A preparação dos estudantes para depois da escola também aparece entre as preocupações. Oito em cada dez brasileiros concordam que o ensino técnico deveria ser ampliado para gerar mais oportunidades aos jovens e a mesma proporção considera que um curso técnico de qualidade aumenta as chances de conseguir uma boa vaga no mercado de trabalho. A avaliação do que as escolas oferecem atualmente é bem menos favorável. Segundo a pesquisa, 27% concordam que a escola pública prepara bem os jovens para o Ensino Superior. Em relação à preparação para o mercado de trabalho, o percentual é de 25%. Ensino integral é mais conhecido entre famílias com filhos Sete em cada dez entrevistados (71%) afirmam já ter ouvido falar do modelo de escolas públicas em tempo integral. Entre pais e responsáveis por crianças ou adolescentes, o percentual sobe para 90%. O conhecimento sobre a política está associado a uma maior disposição para adotá-la. Entre aqueles que já ouviram falar do ensino integral, 52% matriculariam ou já têm filhos matriculados nesse modelo, ante 33% entre os que não conhecem a política. Nas classes C e D/E, os percentuais chegam a 59% e 58%, respectivamente, entre aqueles que já ouviram falar do modelo. Os entrevistados também relacionam o período integral a benefícios que vão além da aprendizagem. Para 57%, o modelo prepara melhor os jovens para o Ensino Superior e, para 55%, melhora a preparação para o mercado de trabalho. Outros 54% consideram que ele permite que pais e responsáveis trabalhem com mais tranquilidade, enquanto 52% veem o ensino integral como uma forma de reduzir a exposição de jovens ao recrutamento por facções e grupos criminosos. “Em conjunto, os resultados mostram que a população brasileira demanda avanços na educação, reconhece diferenças na qualidade das escolas públicas entre os estados e aponta prioridades claras para os próximos anos”, afirma Olavo Nogueira Filho, diretor-executivo do Todos Pela Educação. Como foi feita a pesquisa A pesquisa foi realizada por telefone pelo Instituto IDEIA com 20 mil brasileiros de 16 anos ou mais, entre 20 de maio e 20 de julho de 2026. A amostra considera gênero, idade, escolaridade, região, situação no mercado de trabalho, cor ou raça, religião e local de residência, entre outras características, com base no Censo 2022 e na Pnad Contínua 2025. O intervalo de confiança estimado é de 95%, com margem de erro de aproximadamente um ponto percentual, para mais ou para menos.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/educacao-influencia-voto-de-71-dos-brasileiros-pesquisa-ideia