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Delegado da PF ligado a Moraes pode ser o novo corregedor da Abin e servidores protestam

Associação da categoria classifica como “preocupante, injustificada e um desprestígio” a possível nomeação de uma pessoa de fora do órgão para ocupar o cargo

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Jésus Mosquéra
22/07/2024, 20:35 • Atualizado em 22/07/2024, 20:35
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Delegado da PF ligado a Moraes pode ser o novo corregedor da Abin e servidores protestam

O delegado da Polícia Federal (PF) José Fernando Moraes Chuy - ligado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes - é, até o momento, o nome mais forte para ocupar o cargo de corregedor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Se confirmada a nomeação, Chuy coordenará o departamento responsável pela apuração de infrações administrativas cometidas por servidores da Abin. A escolha desagrada à entidade que representa a categoria.

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“Consideramos preocupante, injustificada e um desprestígio dos servidores orgânicos da Abin a possível indicação de um corregedor-geral do órgão oriundo de fora dos quadros da agência”, declarou, em nota, a Intelis (União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Abin).

Chuy exerceu, a convite de Alexandre de Moraes, a chefia da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O delegado da PF ocupou o cargo de maio de 2023 até junho de 2024, quando Moraes deixou a presidência do TSE. O nome do delegado, embora ainda não confirmado oficialmente, circula entre servidores da Abin. A Intelis trabalha para evitar que a nomeação de Chuy seja efetivada.

A Intelis lembrou que as investigações sobre a suposta “Abin Paralela” começaram a partir da apuração interna da corregedoria, então chefiada por uma “oficial de inteligência”, ou seja, uma servidora do próprio órgão. “Temos certeza que a instituição possui excelentes quadros para ocupar a função e por isso consideramos irrazoável e nos preocupa as consequências de uma indicação como essa em uma instituição republicana”, acrescentou a Intelis.

Interferência na Abin

O atual diretor-geral da Abin é o delegado da PF Luiz Fernando Corrêa. O chefe de gabinete dele, também delegado, é Luiz Carlos Nóbrega Nelson, ex-superintendente da PF no Rio Grande do Norte. A chegada de outro policial federal em um cargo vital da Abin é vista pela Intelis como mais uma janela que se abre para interferências externas.

Lula e Bolsonaro optaram por nomes externos

Quem indica o diretor-geral da Abin é o presidente da República. Os demais cargos da Abin são escolhas do diretor-geral. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, nomeou Corrêa como diretor-geral. Corrêa, por sua vez, escolheu Nelson como chefe de gabinete.

Lula, portanto, manteve a lógica adotada por Jair Bolsonaro, que, enquanto presidente, também indicou um delegado da PF para a direção-geral da Abin. Na época, o escolhido de Bolsonaro foi Alexandre Ramagem, hoje investigado pela Polícia Federal como um dos responsáveis pela chamada Abin Paralela, suposta estrutura montada dentro e fora da Agência Brasileira de Inteligência para espionar desafetos da família Bolsonaro.

A conexão com Bolsonaro rendeu a conquista do mandato de deputado federal pelo PL, mesmo partido do ex-presidente. Nesta segunda-feira (22), o PL oficializou Ramagem como candidato à prefeitura do Rio de Janeiro (RJ). O ex-diretor da Abin conta com o apoio oficial da família Bolsonaro nas eleições municipais.

“Parasitas” na Abin

Na nota sobre o cargo de corregedor, a Intelis menciona a "Abin Paralela". “Devemos lembrar que a atual investigação sobre o uso indevido do software First Mile pela estrutura que parasitou a ABIN foi iniciada pela própria corregedoria interna, então liderada por uma Oficial de Inteligência”, diz a Intelis.

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