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Caso Marielle: defesa de Rivaldo Barbosa acusa ex-vereador do Rio de ter encomendado “dossiê” para incriminar irmãos Brazão

Segundo os advogados, um delegado da Polícia Federal e policiais civis foram contratados por Marcello Siciliano para ajudar no plano

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Iris Tavares
07/06/2024, 18:49 • Atualizado em 07/06/2024, 20:21
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Marielle Franco, vereadora assassinada em 2018 | Dayane Pires/Câmara Municipal do Rio de Janeiro

Marielle Franco, vereadora assassinada em 2018 | Dayane Pires/Câmara Municipal do Rio de Janeiro

Um documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela defesa do ex-delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa, considerado como mentor intelectual do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, acusa o ex-vereador Marcello Siciliano de ter encomendado um “dossiê” particular para incriminar os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão como mandantes da execução.

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O dossiê

Apresentado à Corte na última terça-feira (4), o argumento dos advogados Marcelo Ferreira de Souza e Felipe Dalleprane Freire de Mendonça é que Siciliano contratou um delegado da Polícia Federal e policiais civis expulsos da corporação para a preparação do dossiê.

"Marcello Siciliano comprou investigação particular de policiais civis que foram expulsos da corporação, Aloisio Russo Junior e Mario Franklin Leite Mustrange Carvalho. Houve efetiva participação do Delegado de Polícia Federal da ativa Fabrizio José Romano na confecção do Dossiê comprado", detalha a defesa no documento.

Segundo a defesa, havia, inclusive, um contrato de prestação de serviços de investigação particular. Além de dinheiro, os citados cobravam também um cargo de assessoria do então vereador.

Marcello Siciliano e Orlando Curicica

Durante as investigações do caso Marielle, Siciliano chegou a ser apontado como mandante do crime por uma testemunha. Ainda em 2018, ano que a vereadora foi assassinada, ele prestou depoimento como testemunha junto com outros vereadores da Câmara Municipal do Rio. Na época, a acusação era de que o ex-vereador teria tramado o homicídio junto com o ex-policial militar e miliciano Orlando de Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica.

Em abril deste ano, Orlando Curicica foi ouvido por investigadores da Polícia Federal do Rio de Janeiro e disse que, logo após ser citado como um dos responsáveis pela morte da vereadora, ele se encontrou com um advogado que teria revelado que Domingos Brazão teria mandado matar a vereadora por causa de uma operação no Tribunal de Contas (TCE). O encontro com o advogado aconteceu no presídio em que Orlando Curicica está preso desde 2017.

No final do mês passado, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) aceitou a denúncia do Ministério Público (MPRJ) e condenou o ex-PM Rodrigo Ferreira, conhecido como Ferreirinha, e a advogada Camila Nogueira por obstrução das investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Em depoimento sobre o caso, Ferreirinha acusou Orlando Curicica e o ex-vereador Marcello Siciliano de terem planejado o assassinato de Marielle. Após as investigações, a Polícia Federal concluiu que o ex-policial criou a história para confundir as autoridades.

A defesa de Rivaldo Barbosa pediu ainda que o ministro Flávio Dino se declare impedido de julgar a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Caso o pedido seja rejeitado, os advogados solicitam o desmembramento do processo, para envio à Justiça do Rio de Janeiro

Em nota, a defesa de Marcello Siciliano afirma que o ex-vereador foi vítima neste caso "do início ao fim, como as autoridades policiais e judiciárias comprovaram após seis anos de detalhadas investigações".

"Todas as pessoas que criaram falsas acusações contra ele estão presas e condenadas. O ex-vereador sempre figurou no inquérito como testemunha. Nunca foi sequer denunciado. A única coisa que fez durante todos esses anos foi se defender das inverdades forjadas contra ele. Em seus depoimentos Marcello Siciliano nunca levantou suspeita contra ninguém. Estranha que seu nome volte a ser envolvido em cortinas de fumaça para desviar a atenção dos verdadeiros criminosos, mas acredita que como da primeira vez, a verdade prevalecerá", acrescenta o advogado Daniel Fiuza.

Procurada, a defesa de Domingos Brazão não respondeu até a publicação desta matéria. O SBT News não conseguiu contato com os outros citados.

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