Brasil

Advogados de SP são investigados por fraude com cassiterita

PF apura venda de carregamento irregular de R$ 250 milhões e golpe financeiro; compradora seria multinacional

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Renato Barone
Advogados Guilherme Romão (à esquerda) e Santiago Shunck (à direita), do escritório Nelson Willians Advogados

Advogados Guilherme Romão (à esquerda) e Santiago Shunck (à direita), do escritório Nelson Willians Advogados

A Polícia Federal investiga um caso de extração irregular de cassiterita na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Dois advogados e um empresário brasileiros seriam os responsáveis por vender o carregamento irregular avaliado em R$ 250 milhões à empresa compradora, a multinacional Gerald Group, sediada em Londres, mas teriam aplicado um golpe financeiro, enviando areia no lugar do minério.

🔎A cassiterita é um minério conhecido como "Ouro Negro", do qual é retirado o estanho, que depois de refinado gera materiais fundamentais na fabricação de componentes eletrônicos, como chips e placas de vídeo.

De acordo com a investigação, os envolvidos no esquema são os advogados Santiago Shunck e Guilherme Romão, do escritório Nelson Wilians Advogados, e o empresário Diego Possebon.

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O trio teria disfarçado a transação fraudulenta como compra de um carregamento de areia. Para viabilizar o recebimento adiantado dos R$ 250 milhões, eles teriam contado com a ajuda de intermediadores, que, segundo a investigação, não tinham conhecimento do caráter ilícito da operação.

Uma outra empresa ligada ao Gerald Group, chamada MLS Berkowitz, faliu após se envolver na transação ilegal. Desde então, a companhia sediada na Inglaterra vem ajuizando ações cíveis para cobrar os responsáveis pela venda de cassiterita disfarçada de areia.

O escritório Nelson Wilians Advogados se posicionou por meio de nota:

"É preciso levar em conta que os fatos ocorreram entre 2021 e 2022, quando os dois advogados atuavam de forma independente, em escritório próprio, e não integravam o quadro do escritório Nelson Wilians.

Eles vieram a fazer parte da sociedade posteriormente. Atualmente, o dr. Santiago Schunck não é mais sócio do NWADV.

Tanto o dr. Santiago quanto o dr. Guilherme afirmam que sua atuação foi absolutamente regular e dizem desconhecer qualquer questionamento relacionado ao caso."

O Gerald Group rejeitou "categoricamente qualquer sugestão de que possa ter participado de qualquer forma de declaração falsa ou adulteração de material ou documentação com o objetivo de facilitar a exportação de cassiterita ou de qualquer outro mineral do Brasil."

MLS Berkowitz foi notificada via e-mail pelo SBT News, mas não respondeu até o momento.

Procurada para comentar sobre o caso, a OAB de São Paulo não havia respondido até a conclusão desta reportagem.

O espaço também segue aberto para o empresário Diego Possebon.

Embora não esteja diretamente envolvido no caso dos minérios, o advogado Nelson Wilians foi alvo de três operações recentemente: a Operação Sem Desconto, que investiga desvio de dinheiro dos aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social); a Operação Distrato, que apura um esquema de comercialização de créditos irregulares de ICMS (Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias) para empresas paulistas; e a Operação Arena, que combate um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo a casa de apostas Pixbet. Ele afirma não ter cometido quaisquer irregularidades.

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