Política

Comissão da Câmara aprova PEC para o fim da escala 6x1

Proposta segue para comissão especial, que analisará o mérito e poderá alterar o texto

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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (22) a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1.

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O colegiado analisou a admissibilidade da proposta, ou seja, se o texto está de acordo com a Constituição. O parecer do relator, deputado Paulo Azi (União-BA), favorável ao avanço da tramitação, foi aprovado em votação simbólica.

Com a decisão, a PEC segue para uma comissão especial, que será responsável por analisar o mérito da proposta e deve ter a instalação determinada ainda nesta quarta-feira (22) pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Nessa etapa, o conteúdo pode ser alterado antes de ser encaminhado ao plenário da Casa.

Os deputados analisam duas propostas sobre a mudança na jornada de trabalho sem redução salarial. A primeira, da deputada Erika Hilton (Psol-SP), propõe substituir a escala 6x1 por um modelo 4x3, com até três dias de folga por semana. A segunda, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), prevê a redução da carga semanal de 44 para 36 horas.

Motta determinou a tramitação conjunta das propostas, unificando os textos em uma única discussão.

Durante a discussão na CCJ, o deputado Lucas Redecker (PSD-RS), que havia pedido vista na semana passada, o que adiou a votação para esta quarta-feira (22), disse não ver problema na reivindicação dos trabalhadores por mais tempo de lazer, convivência familiar e qualificação profissional.

Ele ponderou, no entanto, que há preocupação com os impactos econômicos da proposta, ao questionar quem arcaria com os custos caso a jornada fosse reduzida sem alteração salarial.

“A minha preocupação é de quem vai pagar a conta, porque se diminuirmos a escala e mantivermos o mesmo salário, isso vai gerar um déficit para o empregador. [...] É onde temos que ampliar esse debate porque não está previsto aqui na PEC. [...] É um ponto que vamos ter que debater na comissão especial [...] para que a gente consiga modificar esse texto”, declarou.

Após a aprovação pela CCJ, Motta afirmou, em publicação no X, que a medida representa “mais um passo fundamental” para levar a proposta ao plenário da Câmara em maio.

“A Câmara dos Deputados é a Casa do diálogo e do povo brasileiro. Meu compromisso é avançar rápido, mas sempre com muito equilíbrio e responsabilidade”, disse.

Ele acrescentou que vai determinar a criação da comissão especial “o mais rápido possível”.

Tramitação

Após passar pela comissão especial, a proposta ainda precisa ser votada no plenário da Câmara. Para ser aprovada, é necessário o apoio de pelo menos 3/5 dos deputados (308 votos), em dois turnos de votação. Depois, segue para análise do Senado.

Por se tratar de uma PEC, o texto não depende de sanção presidencial e passa a valer após ser aprovado nas duas casas legislativas.

Projeto do governo

Paralelamente à PEC, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou ao Congresso um projeto de lei (PL) alternativo sobre o tema. A proposta prevê uma redução mais gradual da jornada, de 44 para 40 horas semanais.

A avaliação do governo é de que um projeto de lei tem maior viabilidade de aprovação, por exigir menos votos e ter tramitação mais rápida.

A iniciativa, no entanto, não foi bem recebida por Motta, que afirmou que pretende manter o andamento das PECs na Câmara. Apesar disso, o presidente da Casa declarou que respeita a decisão do Executivo de apresentar uma proposta própria.

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