Política

Falta de diálogo em decisões, brigas internas e ameaças; entenda a crise do União Brasil

Interlocutores afirmam que desconforto começou com a fusão que deu origem à sigla, em 2022; afastamento de Bivar pode ser definido nesta quarta (20)

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Lis Cappi
20/03/2024, 10:26 • Atualizado em 20/03/2024, 10:33
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Falta de diálogo em decisões, brigas internas e ameaças; entenda a crise do União Brasil

O possível afastamento de Luciano Bivar da presidência do União Brasil escancara uma crise partidária que começou logo na fundação da legenda, em 2022. Interlocutores ligados à cúpula do partido descrevem uma lista de embates, começando pelo projeto frustrado de candidatura do ex-juiz Sergio Moro à presidência da República.

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As situações também passam por brigas diretas entre o comando do partido e representantes estaduais, além de lideranças dentro do Congresso Nacional. Entre os conflitos estão casos que chegaram à Justiça, como a disputa envolvendo o diretório no Amazonas e a liberação dada para desfiliações no Rio de Janeiro.

Paralelo ao cenário de crise, há em jogo um montante milionário. Para as eleições municipais deste ano, a previsão é de que a legenda receba R$ 500 milhões. Em 2023, o União foi o terceiro partido que mais recebeu recursos do Fundo Partidário, com mais de R$ 58,4 milhões.

Conforme apurou o SBT News, as reclamações despontam contra decisões individuais tomadas pelo mandachuva, o deputado federal Luciano Bivar, em um histórico que endossou disputas internas ligadas à falta de diálogo.

Um nome próximo da cúpula do partido exemplifica que o processo de filiação de Moro e a manutenção da disputa dele à presidência pela legenda em 2022 não haviam sido acordados, o que pegou nomes da sigla de surpresa. O movimento impactou palanques eleitorais definidos naquele ano.

Uma outra figura de destaque no Congresso expôs que Bivar fez uma série de viagens e buscou ter protagonismo frente à legenda, sem uma atuação contundente para atender demandas internas de líderes. Na mesma linha, um deputado avalia, sob discrição, que o descompasso no comando da legenda pode levar a um problema no mandato de Bivar como deputado na Câmara.

A falta de comunicação também é apontada como justificativa para a negociação truncada do partido com o governo. Mesmo com três ministros na Esplanada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o União tem apresentado dissidências em projetos defendidos pelo Executivo no Congresso. Em fevereiro, 17 dos 59 deputados da legenda assinaram pedido de impeachment do petista. A expectativa da nova cúpula é de que a relação será reavaliada.

Nova polêmica e ameaças

Bivar foi apontado como autor de ameaças contra o novo presidente eleito no partido, Antonio de Rueda. As situações são ligadas a falas que afirmam fim do futuro político e ações que, segundo outros nomes do partido, se estenderam para familiares. Bivar nega ter feito qualquer movimento ou declaração contra a integridade física de Rueda e afirma haver uma "traição" em todo o caso.

A situação escalou após incêndios em imóveis ligados a Rueda em Pernambuco, uma casa de praia dele e outro da irmã, Maria Emília de Rueda, que é tesoureira do União Brasil. A defesa de Rueda afirma que acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar a suposta relação entre os casos. Bivar negou envolvimento.

Troca de comando

O União Brasil decidiu pela troca do comando do partido no início de março. A mudança de rota foi capitaneada pela ala do antigo Democratas (DEM), em desdobramento do racha partidário. Com o resultado, o comando do partido passaria, a partir de maio, para Antonio de Rueda. A vice-presidência fica com ACM Neto, além da troca de toda a executiva partidária.

Apesar da previsão, o afastamento de Bivar pode ser antecipado para esta quarta-feira (20). O partido decide a respeito da medida e da possível expulsão, com cancelamento da filiação, de Bivar. A decisão foi iniciada na última semana, pela análise de supostas ofensas e ameaças a Rueda e sua família. Também cita indícios de motivação política criminosa e a validação de cartas de desfiliação de deputados no Rio de Janeiro, sem decisão colegiada do partido.

A expectativa é de que os membros do União avaliem justificativas apresentadas pelo atual presidente e cheguem a uma decisão final. Ao SBT News, no início do processo, Bivar disse que iria recorrer do caso tanto internamente quanto em instâncias superiores, ligadas à Justiça.

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