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Vieira diz que ONU perdeu protagonismo e defende retomada do multilateralismo

Chanceler afirma que conflito expõe “paralisia” do Conselho de Segurança e que negociações fora do organismo ganham espaço na crise envolvendo o Irã

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Logo da ONU em Nova York | 18/9/2025/Reuters/Jeenah Moon

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quarta-feira (18), no Senado, que a crise no Oriente Médio evidencia a perda de protagonismo da ONU (Organização das Nações Unidas) e o avanço de negociações diretas entre países como principal via de resolução de conflitos.

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Segundo o chanceler, a escalada militar ocorre em um momento em que havia tratativas diplomáticas em andamento, o que reforça a avaliação de fragilidade do sistema internacional.

"É preciso que essas disputas militares sejam tratadas em seu foro adequado, que é a Organização das Nações Unidas. No entanto, a paralisia da ONU e do seu Conselho de Segurança torna-se ainda mais evidente no atual contexto de conflito no Irã. As Nações Unidas têm desempenhado um papel secundário nas tratativas relativas à crise", afirmou.

Vieira afirmou que a atual dinâmica global tem priorizado respostas militares em detrimento de soluções negociadas, o que, na avaliação do governo brasileiro, contribui para o aumento da instabilidade.

O melhor caminho é o entendimento, a coordenação e a negociação, e não o conflito”, disse o ministro ao defender a retomada de mecanismos multilaterais.

Defesa do equilíbrio

Durante a audiência, Vieira reiterou que o Brasil tem adotado uma posição de equilíbrio, com condenação à escalada de violência por diferentes atores envolvidos na crise.

O chanceler afirmou que o país defende o respeito ao direito internacional e à Carta da ONU, incluindo a proteção de civis e a contenção das hostilidades.

Ele também ressaltou que diversos países da região têm buscado evitar envolvimento direto no conflito e manifestado interesse em soluções negociadas.

Pressão no Congresso

A audiência ocorre em meio à cobrança de parlamentares por explicações sobre os efeitos econômicos da guerra e a preparação do governo para um cenário de instabilidade prolongada.

Senadores demonstraram preocupação com impactos sobre o agronegócio e o abastecimento, especialmente diante da dependência de insumos importados.

Vieira afirmou que o governo acompanha os desdobramentos em conjunto com outras áreas, como Fazenda e Minas e Energia, e defendeu a ampliação de parcerias comerciais como forma de reduzir riscos externos.

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