Alcolumbre atuou para garantir União Brasil neutro
Em aceno a Lula, presidente do Senado agiu diretamente para que seu partido rejeitasse coligação com Flávio Bolsonaro

O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre | Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Num movimento de reaproximação com o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), atuou pessoalmente para garantir que o União Brasil anunciasse neutralidade tanto no pleito presidencial quanto em estados estratégicos para a chapa petista. A informação foi confirmada por interlocutores próximos ao amapaense.
📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! Clique aqui e siga o canal do SBT News.
De acordo com essas fontes, Alcolumbre usou sua força política interna e também participou diretamente de reuniões decisivas da cúpula do partido para que a legenda não optasse, por exemplo, pelo apoio à candidatura do PL à Presidência, encabeçada por Flávio Bolsonaro.
Na prática, o movimento feito pelo parlamentar do Amapá garantiu o isolamento de Flávio na corrida eleitoral. Isso porque, além do União Brasil, partidos tradicionais do Centrão, como Republicanos, Podemos e Progressistas, também recusaram se coligar com o presidenciável bolsonarista. Como efeito disso, Flávio terá menos tempo de TV na eleição.
A coluna apurou com parlamentares próximos a Alcolumbre que um dos Estados no qual ele também intercedeu foi o Rio de Janeiro, berço político bolsonarista. A neutralidade costurada por Alcolumbre acabou beneficiando a chapa do ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD), que tenta se eleger governador fluminense com apoio justamente do PT.
Após meses de distanciamento, Lula e Alcolumbre voltaram a se reunir na última terça-feira (4) em Brasília. Também participaram do encontro os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin. A dupla foi a responsável por organizar o movimento da reaproximação, sob o argumento de ser irrazoável que chefes de Poder não conversem por mais de 100 dias.
A reunião foi realizada na casa de Moraes, em Brasília, como revelou o jornal O Globo. Segundo fontes ouvidas pelo SBT News, a conversa durou cerca de três horas. Foi um jantar em que foram tratados temas gerais, sem pauta, com o principal objetivo foi reaproximar Lula e Alcolumbre após meses de desgaste na relação.O rompimento ocorreu no fim de abril, quando o plenário do Senado rejeitou a indicação do então advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no STF.
Para completar o quadro político, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou nesta segunda-feira (10) o apoio à reeleição de Lula. Em declaração a jornalistas na Paraíba, Motta afirmou que aguardava a definição do Republicanos antes de tornar público seu apoio. A legenda optou pela neutralidade na disputa presidencial e liberou os diretórios estaduais e seus integrantes para apoiar os candidatos que considerarem mais adequados.
“A tendência nossa aqui na Paraíba, isso já havia sido dito antes, é que caminhemos com o presidente Lula. Nós iremos declarar esse apoio ao presidente, porque é o presidente que converge com aquilo que pensamos ser o melhor para o país”, afirmou Motta.















