Alvo da PF, Marcola cita origem humilde para ter apoio no PT
Ex-chefe de gabinete de Lula compartilhou vídeo nas redes sociais sobre trajetória pessoal humilde

Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola | Reprodução/Instagram
Ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, recorreu a um vídeo antigo para angariar apoio interno no Partido dos Trabalhadores (PT), ao qual é filiado. Nos últimos dias, Marcola publicou no Instagram trecho de um discurso em que fala sobre sua origem humilde.
📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp! Clique aqui e siga o canal do SBT News.
A publicação coincide com o momento adverso vivido por Marcola, que é alvo de investigações da Polícia Federal (PF) sobre um suposto esquema de tráfico de influência no Ministério da Saúde que teria sido praticado pela lobista Roberta Luchsinger e pelo empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente da República. O objetivo seria favorecer o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS".
Segundo a PF, Marcola é suspeito de integrar o esquema após receber uma transferência de R$ 249 mil de Roberta. Em nota, a defesa do ex-assessor nega irregularidades e sustenta que a movimentação é de natureza estritamente privada, referente ao pagamento de uma despesa pessoal.
No vídeo, ao qual a coluna teve acesso, Marcola conta que teve a "vida de todo brasileiro", com "aquela dificuldade". Em seguida, cita o fato de sua mãe ter sido "manicure" e seu pai, "um vendedor de laticínios".
"Vim de escola pública, minha mãe é manicure, meu pai foi vendedor de frios, de laticínios. Eu tive a vida de todo brasileiro, com aquela dificuldade. Trabalhei desde os 15 anos de idade e fiz colegial noturno. A gente sabe da dificuldade que é a escola pública, principalmente no estado de São Paulo. Trabalhava e estudava. Gostava de estudar. Eu fiz três anos de cursinho, gente. Passei em três universidades, escolhi a que eu queria, saí de casa. E eu fui o primeiro da minha família a entrar na universidade pública", afirma.
No mesmo trecho, Marcola conta também como foi passar a trabalhar, a partir de 2015, no Instituto Lula, instituição fundada pelo presidente para representar, preservar e dar continuidade ao seu trabalho político. Segundo Marcola, na entrevista de admissão, o ex-sindicalista e atual presidente da Fundação Perseu Abramo, Paulo Okamotto, teria alertado que a função no órgão iria "marcar sua vida negativamente".
"No Instituto Lula, 2015 foi um ano muito difícil pra gente. Eu lembro que na entrevista que o Paulo Okamotto fez comigo, ele falou assim: 'Mas por que você quer vir para cá? Se candidatou para essa vaga? Porque isso aqui vai marcar sua vida negativamente. Você sabe, né?' E eu falei que eu gostava muito, tinha visto o presidente em um evento uma vez, e falei: 'Eu vou entrar porque eu quero me dedicar, eu quero aprender.' Eu era filiado ao PT e eu sabia que aquilo era uma oportunidade que eles estavam me dando. Assim eu fui crescendo. O estudo liberta as pessoas. Nunca parem de estudar."
A publicação rendeu apoio, por exemplo, do advogado Laio Morais, ex-chefe de gabinete de Fernando Haddad (PT-SP) no Ministério da Fazenda. Atualmente ele ocupa uma das vagas de suplência na chapa de Simone Tebet (PSB) ao Senado. Ao reagir ao vídeo, Morais respondeu com um trecho bíblico que fala sobre "malfeitores" e "guerra".
"O Senhor é a minha luz e a minha salvação;de quem terei medo? O senhor é a proteção da minha vida: diante de quem temerei? Quando malfeitores avançam contra mim para devorar minha carne, são eles, meus adversários e inimigos, que tropeçam e caem. Se um exército acampar contra mim, meu coração não temerá; se uma guerra se levantar contra mim, ainda assim estarei confiante."

















