EUA prometem a Vieira diálogo antes de decisão de tarifas
Jamieson Greer e chanceler brasileiro conversaram rapidamente em um evento da OCDE, em Paris


Ministro de Relações Internacionais, Mauro Vieira | Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou nesta quarta-feira (3) com o representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), Jamieson Greer, e ouviu dele a promessa de que o órgão ligado à Casa Branca "continuará dialogando" com o Brasil, mesmo após a indicação de que os produtos brasileiros podem ser afetados por novas tarifas norte-americanas.
De acordo com interlocutores, os dois se encontraram rapidamente em Paris, na França, onde acontecem as reuniões ministeriais da Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo esses relatos, ao se cruzarem no evento, Greer teria se aproximado do chanceler e dito que "há um contato fluido" com o Brasil e, por isso, o USTR quer "continuar a dialogar" com os representantes da gestão petista.
O SBT News apurou que, em resposta, o ministro Mauro Vieira explicou que disposição do Brasil é a mesma e que recomendações de adoção de tarifas de 25% e de 12,5%, anunciadas anteontem e ontem pelo USTR, exigem intensificar as negociações.
Além da novo tarifaço de 25%, anunicado pelo USTR na segunda-feira (1º) ,o governo dos Estados Unidos também propôs, na noite desta terça-feira (2), a imposição de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos do Brasil. A medida, que também mira outros 59 países, ocorre após uma investigação sobre importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
O USTR dividiu os alvos em dois grupos, com alíquotas diferentes. Canadá, Equador, União Europeia, Indonésia, México e Paquistão ficariam com tarifa adicional de 10% por já possuírem algum tipo de proibição ou mecanismo legal contra a importação de produtos feitos com trabalho forçado, mas com fiscalização considerada insuficiente.
O Brasil, por sua vez, foi colocado no grupo que receberia taxa extra de 12,5%, ao lado de outros 53 países, como Argentina, China, Japão, Rússia, Reino Unido e Venezuela. Neste caso, a pasta considera que os governos falham em impor e aplicar efetivamente uma proibição legal à importação de produtos feitos total ou parcialmente com trabalho forçado, além de possuir uma fraca fiscalização.













