Itamaraty manterá embaixador da Argentina até fervura baixar
Chanceler Mauro Vieira fez reunião de avaliação do quadro diplomático com Júlio Bitelli, que foi convocado para consultas em Brasília

Embaixador do Brasil na Argentina, Júlio Bitelli, chega ao Palácio do Planalto para reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil - 16.07.2026
O Ministério das Relações Exteriores decidiu manter o embaixador do Brasil na Argentina, Júlio Bitelli, em solo nacional até baixar a fervura da crise diplomática com o governo de Javier Milei. A expectativa é que isso ocorra em breve, após sinais de conciliação vindos de Buenos Aires, de acordo com fontes. Em uma reunião a portas fechadas nesta quarta-feira (29), o chanceler Mauro Vieira, Bitelli e outros integrantes da cúpula do Itamaraty debateram a relação com o país vizinho.
Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, rechaçou a possibilidade de romper relações com o Brasil e avaliou que as declarações de Milei refletem "diferenças políticas e ideológicas". A postura conciliadora foi bem recebida pela diplomacia brasileira.
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Bitelli foi convocado para consultas em Brasília após o presidente argentino ofender autoridades brasileiras enquanto participava, pessoalmente, da convenção do PL que formalizou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Aliado do presidente Donald Trump, Milei chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “ex-presidiário” e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de "lixo careca".
O governo brasileiro entende que Bitelli precisa passar um tempo considerável em Brasília para sinalizar o tamanho do descontentamento com o ocorrido. Ao mesmo tempo, a diplomacia quer evitar uma piora da relação bilateral, que tem importância política e econômica para os dois lados. Essa “dosagem” para marcar o retorno do embaixador, portanto, depende agora da evolução do quadro diplomático.
Por enquanto, não existe a perspectiva de adotar uma medida mais drástica contra a Argentina, como eventualmente declarar Milei persona non grata. Isso só entraria em debate em caso de uma escalada patrocinada pelo país vizinho.

























