PF abordou Flávio 3 vezes para prestar depoimento sobre Lula
Candidato à Presidência é alvo de investigação sobre possível calúnia contra petista

Flávio Bolsonaro em lançamento do plano Brasil Sem Medo | Reprodução/YouTube
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) negou três abordagens da Polícia Federal e do STF (Supremo Tribunal Federal) para prestar depoimento presencial no inquérito que apura calúnia contra o presidente Lula.
Na última abordagem, a defesa de Flávio apresentou esclarecimentos por escrito.
As solicitações de agenda foram feitas de maio a julho, segundo o relatório final da investigação e decisões do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
O delegado Antônio Carlos de Carvalho disse que alertou a defesa de Flávio da "necessidade da realização da oitiva dentro do prazo concedido pelo STF para a conclusão das diligência".
Ele afirmou aos advogados que eventual negativa para prestar depoimento seria interpretada como "o uso do direito ao silêncio por parte do investigado".
As duas primeiras abordagens da Polícia Federal foram ignoradas. A defesa do senador enviou petições ao STF pedindo diligências já rejeitadas —o que foi avaliado pelos investigadores como uma tentativa de adiar o desfecho da investigação.
A PGR (Procuradoria-Geral da República) avaliou que seria importante dar uma nova possibilidade para Flávio prestar depoimento. Ele poderia até se retratar dos comentários caluniosos, para evitar um possível processo penal.
Moraes marcou o novo depoimento para esta terça-feira (28). A defesa do senador, porém, apresentou esclarecimentos por escrito e comunicou que Flávio não compareceria.
Em nota à imprensa, a defesa de Flávio diz que a investigação só poderia ser instaurada com pedido formal de Lula e que as publicações se inserem "no contexto do debate político e dizem respeito a posicionamentos públicos e afinidades políticas amplamente discutidos no cenário nacional e internacional".
"Flávio Bolsonaro reafirma sua confiança nas instituições e, ao mesmo tempo, manifesta preocupação com iniciativas que buscam judicializar o embate político e impor restrições indevidas ao exercício da liberdade de expressão assegurada pela Constituição Federal".
Calúnia
Flávio Bolsonaro passou a ser investigado pela Polícia Federal em 23 de abril por uma publicação feita nas redes sociais.
Nas redes sociais, Flávio dizia que Lula seria delatado por Nicolás Maduro, ditador venezuelano, após sua captura pelas Forças Armadas dos EUA.
"É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas...", escreveu.
Segundo a PF, o candidato à Presidência "atribuiu falsamente o cometimento de crimes ao Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva".
A Polícia Federal enviou em 26 de junho o relatório final da investigação. O documento sugere que Flávio seja denunciado pelo crime de calúnia.

























