Presos do PCC na Bolívia não estavam em base de dados do CNJ
Ausência de Márcio Barbosa ('Beiço de Mula') e Roberto Prieto Filho ('Betinho') no sistema chamou a atenção dos investigadores, que apuram suspeita de corrupção

Roberto Prieto Filho, conhecido como “Betinho”, e Márcio Barbosa da Silva, conhecido como “Beiço de Mula” | Reprodução
Os dois homens da facção Primeiro Comando da Capital (PCC), presos nesta semana na Bolívia, não apareciam no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões, o BNMP, sistema do Conselho Nacional de Justiça que reúne informações sobre mandados de prisão. Ambos eram foragidos da Justiça.
Márcio Barbosa da Silva, conhecido como “Beiço de Mula”, e Roberto Prieto Filho, o “Betinho”, foram localizados em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, em uma operação conjunta da Polícia Civil de São Paulo, Polícia Federal e polícia boliviana.
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A ausência dos nomes no sistema chamou a atenção dos investigadores. Para conseguir confirmar as ordens de prisão, os policiais da Divisão de Capturas tiveram que fazer uma checagem processo por processo, até localizar os mandados expedidos contra os dois. A polícia agora tenta descobrir por que os nomes não constavam no banco nacional.
Uma das hipóteses investigadas é a de que os registros possam ter sido retirados ou alterados de forma criminosa. A outra é a ocorrência de uma falha no sistema ou no processo de alimentação dos dados.
A suspeita ganhou ainda mais importância porque existem investigações recentes sobre o uso indevido de credenciais de servidores públicos para alterar informações em sistemas judiciais.
Também vieram a público investigações sobre um mercado clandestino de venda de logins e senhas de sistemas públicos. A suspeita é de que acessos privilegiados possam ser utilizados para modificar informações, inclusive retirar mandados de prisão de sistemas oficiais.
Já há um precedente oficialmente conhecido que envolve o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, em que uma senha de uma magistrada foi alterada e seus dados teriam sido utilizados indevidamente para a emissão de alvarás de soltura.
O que chama a atenção dos investigadores é a coincidência: dois homens apontados como integrantes de uma das maiores organizações criminosas do país, ambos foragidos e escondidos na Bolívia, não apareciam na principal base nacional de consulta de mandados de prisão.
Os presos
Márcio Barbosa foi preso no sábado (19), em Santa Cruz de la Sierra. Ele é citado em uma investigação do Ministério Público de São Paulo que embasou a Operação Vectura Corrupta, responsável pela prisão do ex-vereador Milton Leite. A apuração investiga uma suposta infiltração do PCC no transporte coletivo e no poder público de São Paulo.
Roberto Prieto Filho foi preso nesta quarta-feira (23). Ele estava foragido desde 2022, quando foi resgatado por homens armados de uma delegacia, em Guarujá, no litoral de São Paulo. O grupo utilizou uma escada para acessar o local e resgatar o traficante do PCC da delegacia.

























