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Laudo: roupa do PM acusado de matar a esposa tinha chumbo

Larissa da Cruz Morata, de 29 anos, foi encontrada morta dentro de casa em Embu das Artes (SP), em setembro

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Robinson Cerantula, Fabio Diamante
Laudo: roupa do PM acusado de matar a esposa tinha chumbo

Uma nova descoberta da perícia revelou detalhes da morte da técnica em radiologia Larissa da Cruz Morata, de 29 anos, encontrada morta com um tiro na cabeça dentro da casa onde vivia com o marido, o soldado da Polícia Militar Vinicius Costa Silva, em Embu das Artes, na Grande São Paulo. Informações obtidas pela reportagem apontam que o laudo residuográfico realizado pelo Instituto de Criminalística encontrou partículas de chumbo nas duas mãos de Larissa.

O resultado, porém, apresenta uma diferença importante entre os lados: foram identificadas 14 partículas na mão direita e seis na mão esquerda. Larissa era destra, mas, segundo a investigação, o disparo que provocou a morte - na tese de suicídio - só poderia ter sido feito feito com a mão esquerda. O tiro entrou pela região posterior da cabeça e seguiu uma trajetória da esquerda para a direita. Esses elementos já haviam colocado em dúvida a versão inicialmente apresentada pelo marido, de que ela teria cometido suicídio.

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No caso de Vinicius, o exame encontrou uma quantidade bem menor de partículas nas mãos: uma partícula na mão esquerda e nenhuma na mão direita. O resultado considerado mais relevante pela perícia, entretanto, está nas roupas usadas pelo policial no momento do crime. Foram encontradas quatro partículas de chumbo na região da manga direita da blusa de Vinicius e outras duas na manga esquerda.

A presença das partículas nas roupas é um dos elementos que deverá ser analisado pelos investigadores na tentativa de reconstruir exatamente o que aconteceu dentro da residência. Os policiais civis acreditam que Vinícius lavou as mãos depois do disparo. Isso é importante para a interpretação do exame, já que a quantidade de resíduos encontrada nas mãos pode ser influenciada por contato, lavagem ou outras circunstâncias posteriores ao disparo.

O laudo do Instituto de Criminalística está concluído, mas ainda não foi oficialmente entregue à Polícia Civil. Vinicius Costa Silva já foi denunciado pelo Ministério Público por feminicídio. A acusação sustenta que ele matou Larissa no contexto de violência doméstica e familiar. A Justiça decretou a prisão preventiva do policial.

O caso

Larissa foi encontrada morta no dia 6 de setembro, no banheiro da residência do casal, em Embu das Artes. Ela tinha um ferimento provocado por disparo de arma de fogo na cabeça.

Na ocasião, Vinicius apresentou aos investigadores a versão de que a mulher havia cometido suicídio depois de uma conversa sobre o fim do relacionamento.

A investigação, porém, encontrou elementos que contrariaram essa hipótese. O exame necroscópico apontou que o disparo atingiu Larissa por trás e teve trajetória da esquerda para a direita. O laudo também identificou diversas lesões pelo corpo da vítima, incluindo marcas nas mãos, pés, joelhos, pernas, quadril e pescoço.

O policial foi preso no dia seguinte à morte e, desde então, permanece detido. A defesa nega que ele tenha matado a mulher e sustenta a versão apresentada desde o início de que Larissa tirou a própria vida.

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