Advogados renunciam após suposta fraude de Melqui Galvão
Professor de jiu-jítsu preso por assédio sexual teria falsificado documento para conseguir domiciliar; denúncia foi revelada pelo SBT

Os advogados que integravam a defesa do professor de jiu-jítsu Melqui Galvão renunciaram ao caso depois da denúncia de que a assinatura de um fisioterapeuta teria sido falsificada em um documento apresentado à Justiça para tentar garantir a prisão domiciliar do lutador. Em uma petição protocolada na sexta-feira (28), os advogados informaram à Justiça que tiveram conhecimento, por meio da reportagem do SBT Brasil, de que o fisioterapeuta Sérgio Duarte Louveira havia registrado um boletim de ocorrência por causa da suposta falsificação da assinatura em uma declaração apresentada no processo.
No documento, os advogados afirmam que não tiveram acesso ao boletim de ocorrência nem à íntegra das declarações prestadas pelo fisioterapeuta à polícia. A defesa também sustenta que o profissional foi contratado por Maria Helena de Lima Galvão, mãe de Melqui, e que, depois de receber o documento, ela o encaminhou aos advogados, que utilizaram a declaração nos pedidos apresentados em defesa do professor.
Na sequência, os advogados renunciaram aos poderes para representar Melqui, alegando “razões de foro íntimo”. A declaração atribuída ao fisioterapeuta teria sido usada pela defesa para tentar convencer a Justiça a conceder prisão domiciliar a Melqui para que ele passasse por sessões de fisioterapia, quatro vezes por semana, em recuperação de uma cirurgia no ombro.
O pedido de renúncia à defesa é assinado pelos advogados Átila Machado, Lucas Andrey Battini, Gabriel Bustamante Pires Leal, Tallita Lindoso Silva Maddy, Caroline Amedore Nascimento e Rodrigo Dyer Rodrigues de Moraes. No documento apresentado à Justiça, eles informam que outros dois advogados, Cândido Honório Soares Ferreira Neto e Lucas Consoli Silva, continuam representando Melqui Galvão.
Violência sexual contra alunas
Melqui Galvão, de 47 anos, é professor de jiu-jítsu e também investigador da Polícia Civil do Amazonas. Ele foi preso depois que uma ex-aluna, de 17 anos, denunciou ter sido vítima de violência sexual. A investigação começou em São Paulo e, ao longo das apurações, outras mulheres também apresentaram denúncias contra o professor. Uma das vítimas afirmou que os abusos começaram quando ela tinha 12 anos.
Melqui passou a responder pelo crime de estupro de vulnerável depois que a Justiça recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público e decretou a prisão preventiva do professor. O professor, que nega os crimes, é pai do campeão mundial de jiu-jitsu, Mica Galvão.
Celular encontrado em presídios
Desde que foi preso, Melqui já se envolveu em dois episódios relacionados ao uso de celular dentro de unidades prisionais.
Ainda em Manaus, quando estava aguardava ser transferido para São Paulo, ele foi investigado por fazer chamadas de áudio e vídeo de dentro da cadeia. Segundo as investigações, as ligações teriam sido usadas para tentar convencer atletas a desacreditarem uma das denúncias e para interferir nas apurações.
Melqui foi posteriormente transferido para São Paulo, onde passou a cumprir a prisão preventiva no Presídio Especial da Polícia Civil, na zona norte da capital. Em julho, durante uma vistoria surpresa na unidade, um celular foi encontrado escondido na roupa íntima do professor. A operação foi realizada depois de uma denúncia de que ele estaria usando o aparelho para ameaçar vítimas e testemunhas. Por causa do celular encontrado no presídio, Melqui foi punido administrativamente com a suspensão do direito a visitas por 30 dias.


























