Uma quadrilha investigada pela Polícia Civil de São Paulo se infiltrava em cultos e grupos de oração para identificar pessoas endividadas e aplicar o chamado “golpe da fé”.
Segundo a polícia, os criminosos ofereciam dinheiro em troca da transferência de imóveis e veículos, mas as vítimas acabavam perdendo os bens e assumindo novas dívidas.
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O prejuízo estimado pela investigação é de pelo menos R$ 10 milhões em menos de um ano. A operação que apura o esquema cumpriu mandados de busca e apreensão nesta segunda-feira, mas os investigados não foram encontrados nos escritórios da empresa apontada como parte do esquema, a Via Brasil.
Como funcionava o golpe?
A investigação começou depois que uma vítima procurou policiais de Cotia, na Grande São Paulo, e relatou ter sido enganada. De acordo com a apuração, os suspeitos prometiam usar os imóveis e veículos como garantia para obter financiamentos e liberar os valores necessários aos endividados.
Na prática, conforme o relato policial, os bens eram transferidos para a empresa, sem que as vítimas recebessem a contrapartida prometida. Quando percebiam que haviam perdido o patrimônio, algumas delas já estavam em situação financeira ainda mais grave.
A polícia também investiga ameaças contra as vítimas. Uma delas teria relatado que foi ameaçada com uma arma de fogo pelo dono da empresa.
Para conquistar a confiança das pessoas, os suspeitos se apresentavam como autoridades e usavam carteiras com o brasão da República. Eles também diziam ocupar cargos que não existem, como “comendadores” e “delegados parlamentares” de uma entidade chamada Ordem do Mérito Cívico e Cultural.
O homem apontado pela polícia como dono da Via Brasil é Adiracino França Filho. Segundo a investigação, ele tem passagens pela polícia por estelionato e receptação. Osvaldo de Abreu Berti, apontado como braço direito dele, teve a prisão decretada e é considerado foragido.
Durante as buscas em imóveis ligados aos investigados, os policiais encontraram armas e munições. Os carros de luxo apreendidos, segundo a investigação, representam apenas uma parte do patrimônio obtido pelo grupo.
A Via Brasil também é investigada pelo Ministério Público. Os fatos ainda dependem da conclusão das investigações e da análise da Justiça.


























