Tebet: Salles é incoerente por apoiar Prado após atacá-lo
Candidata ao Senado pelo PSB criticou mudança de posição do deputado e questionou uso de fundo eleitoral na campanha

Tebet em entrevista ao SBT News | Reprodução
Candidata ao Senado por São Paulo, a ex-ministra Simone Tebet (PSB) classificou como uma "incoerência absoluta" a decisão do deputado federal Ricardo Salles (Novo) de abrir mão da disputa eleitoral para apoiar a chapa governista no estado. Em entrevista ao Poder Expresso nesta segunda-feira (28), a ex-ministra afirmou que a articulação "depõe contra a boa política" e cobrou explicações sobre os gastos da pré-campanha de Salles com verba pública.
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O recuo de Salles foi anunciado mais cedo ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Com a desistência da disputa ao Senado, o deputado declarou apoio conjunto às candidaturas de André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP) na disputa pelas cadeiras paulistas no Senado.
Para Tebet, a mudança repentina de posicionamento confunde o eleitorado, especialmente pelas críticas contundentes que Salles direcionava a André do Prado até poucos dias atrás.
"Ele sempre se apresentou como alguém de direita independente, pronto para denunciar a corrupção. Então, como é que, às vésperas de uma eleição, ele diz que vai apoiar alguém que, nas palavras dele no último debate, chamou de marionete de Valdemar Costa Neto? Essas incoerências depõem muito contra a política", afirmou Tebet.
Além da mudança de posicionamento, Tebet levantou questionamentos de ordem financeira sobre a campanha do adversário. A candidata apontou uma contradição entre o discurso de Salles, historicamente crítico ao financiamento público de partidos, e o recebimento de recursos partidários.
"Nós estamos falando de um candidato que dizia que não aceitaria doação do fundo e acabou recebendo R$ 4 milhões. Ele vai ter que justificar depois como vai fazer com esse dinheiro público que recebeu e que já deve ter gasto. Utilizar recurso público e desistir de última hora pode infringir regras eleitorais, e os partidos provavelmente vão acionar a Justiça no momento oportuno", declarou.
Migração de votos e papel de Tarcísio
Questionada sobre para onde irão os votos de Salles, Tebet avaliou que não haverá transferência automática em bloco e apostou na dispersão dos apoios.
"Não acredito em voto de cabresto. Nós não temos mais coronéis que transferem seus votos. O eleitor do Salles é esclarecido, de classe média, e vai questionar esses conchavos feitos na madrugada", avaliou. Tebet reforçou que se apresenta como opção de centro e independente, compondo chapa ao lado de Marina Silva (Rede).
Sobre o papel de Tarcísio de Freitas na costura do acordo, Tebet poupou o governador de críticas éticas diretas e concentrou as críticas na conduta de Salles.
"O governador está no papel dele de pedir apoio para os candidatos dele. Quem está errado é quem mudou de lado em 24 horas, sem dar satisfação ao seu eleitor, dizendo uma coisa e fazendo outra", afirmou.
Mais cedo nesta segunda-feira, Ricardo Salles formalizou a saída da disputa afirmando que o momento do país exige união contra a esquerda.
"Estamos em um momento muito difícil para o país, um risco enorme de nós continuarmos nesse projeto extremamente equivocado que está nos levando para o buraco", justificou o parlamentar.
O governador Tarcísio celebrou o acordo e qualificou a renúncia de Salles como um "passo fundamental" para fortalecer as candidaturas governistas de Derrite e André do Prado ao Senado.

























