Eduardo indica tensão com a Justiça Eleitoral por suplência
Ex-deputado afirmou que vai manter candidatura a suplente de senador mesmo após ter sido condenado pelo STF


Eduardo Bolsonaro em discurso na CPAC, principal conferência global de lideranças conservadoras, em Maryland, nos EUA, em fevereiro de 2025 | Gage Skidmore
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro indicou nesta quarta-feira (17) que manterá a sua candidatura a suplente na chapa de André do Prado (PL) ao Senado mesmo após ter sido condenado a quatro anos e dois meses de reclusão pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Nesta terça (16), a Primeira Turma do STF condenou o ex-deputado pelo crime de coação no curso do processo por articular junto aos Estados Unidos sanções contra o governo e o Judiciário brasileiros com o objetivo de interferir no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ao decretar o resultado, o Supremo também determinou a inelegibilidade de Eduardo por oito anos após o cumprimento da pena - ou seja, até 2038.
A trava abre uma discussão jurídica sobre a viabilidade da candidatura de Eduardo como primeiro suplente de senador, visto que há um entendimento de que a permanência da candidatura pode colocar em risco toda a chapa do PL.
Em entrevista ao site Comunica Brasil, Eduardo afirmou que não foi citado durante o processo e que, para ele, “nada aconteceu”. “O que eu vou fazer? Vou pegar os papéis e vou registrar na Justiça Eleitoral a minha candidatura de primeiro suplente”, afirmou.
“Se porventura eles acharem que eu caí na lei da Ficha Limpa, eu vou contestar. Eu quero ver a Justiça Eleitoral reconhecendo que um processo sem citação, onde é certo e sabido onde eu moro, (...) ser considerado como algo legítimo. Haverá ainda desdobramentos da minha situação mais adiante. Vai ter problema na Justiça brasileira, eu tenho certeza”, afirmou.
O Tribunal Superior Eleitoral está sob o comando do ministro Kassio Nunes Marques desde o mês passado, com mandato até 2028. Indicado por Bolsonaro, o ministro acatou recentemente um pedido da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para suspender a divulgação de uma pesquisa desfavorável ao senador.
Eduardo Bolsonaro articulou junto a André do Prado a cadeira de primeiro suplente visando, no futuro, assumir a cadeira de senador por São Paulo. O ex-deputado mora nos Estados Unidos desde o ano passado e acredita que, de lá, não será alcançado pela Justiça brasileira para cumprir a condenação por coação.
Internamente, o PL defende que é prerrogativa do filho de Jair Bolsonaro definir a composição da chapa paulista ao Senado. Nesta terça, o próprio André do Prado afirmou ao SBT News que caberá a Eduardo indicar um nome alternativo ou atuar por um recurso junto à Justiça.
A oficialização da candidatura de André do Prado, com a indicação de Eduardo na suplência, está prevista para este sábado (20).

























