Bolsonaro depõe sobre arma antes de decisão sobre domiciliar
Ex-presidente será ouvido pela PCDF nesta terça (23); prazo da prisão domiciliar humanitária termina na quinta-feira (25)

O ex-presidente Jair Bolsonaro | Diego Herculano/Reuters
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) presta depoimento nesta terça-feira (23) à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) no inquérito que apura a apreensão de uma pistola registrada em seu nome. A oitiva ocorre a dois dias do fim do prazo de 90 dias da prisão domiciliar humanitária concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O depoimento está marcado para as 15h e será realizado presencialmente na residência onde Bolsonaro cumpre a medida. A autorização foi dada por Moraes na última sexta-feira (19), após pedido da PCDF.
Ao determinar a oitiva presencial, o ministro argumentou que Bolsonaro está submetido a uma restrição judicial que impede o uso de comunicações eletrônicas.
Arma apreendida
A investigação teve início após a apreensão de uma pistola Glock calibre 9 milímetros durante uma blitz da Polícia Militar em Taguatinga, no Distrito Federal, na noite de 15 de junho. A arma estava no assoalho de um veículo conduzido por um sargento do Exército cedido ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
Inicialmente, o militar afirmou que o armamento era de sua propriedade, mas depois admitiu que a pistola pertencia ao ex-presidente. A informação foi confirmada por consulta ao Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (Sigma), do Exército Brasileiro.
Em manifestação ao STF, a defesa de Bolsonaro afirmou que a arma estava regularmente registrada e havia sido inutilizada por precaução. Segundo os advogados, uma peça foi retirada, impedindo o funcionamento do sistema de disparo.
A defesa também informou que Bolsonaro percebeu a falha ao manusear a pistola em casa e entregou o equipamento ao sargento, que possui experiência com armamentos, para verificar o problema.
Fim de domiciliar
O depoimento ocorre enquanto o STF avalia os próximos passos da prisão domiciliar humanitária. O prazo de 90 dias termina na próxima quinta-feira (25), e até o momento a defesa não apresentou pedido de prorrogação.
Relatório médico divulgado na última sexta-feira aponta que o ex-presidente apresenta quadro de saúde estável, com recuperação considerada satisfatória da broncopneumonia diagnosticada em março e da cirurgia realizada no ombro em maio. O documento também registra efeitos colaterais de medicamentos usados para controlar crises de soluço, como sonolência e desequilíbrio, mas informa que os sintomas foram estabilizados.















