Arma atribuída a Bolsonaro é apreendida em blitz da PM no DF
Ligado ao GSI, sargento do Exército disse à polícia que faria reparos na arma, mas não apresentou documentação

Ex-presidente Jair Bolsonaro chega à sua casa em Brasília para cumprir prisão domiciliar após receber alta hospitalar | 27/03/2026/Reuters/Adriano Machado
Uma arma de fogo atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi apreendida durante blitz da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) na noite dessa segunda-feira (15), em Taguatinga.
O sargento Estácio Leite da Silva Filho, do Exército, foi levado à 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul) após abordagem relacionada à Lei Seca. Ligado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência, o militar não apresentou o Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF), documento necessário para o porte da pistola 9mm apreendida pela PMDF.
No registro da ocorrência, a Polícia Civil (PCDF) afirmou que ausência do CRAF "não constitui ilícito com contornos criminais". Silva Filho disse aos policiais que estava com a arma para realizar reparos nela. Após prestar esclarecimentos, foi liberado.
A PCDF apura o caso e comunicou o episódio ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, responsável pela execução penal de Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado.
Moraes deu prazo de 24 horas para que a defesa do ex-presidente explique o motivo para manter "uma arma de fogo em casa, com carregador sobressalente" e por que, "às vésperas do encerramento do período de 90 (noventa) dias concedido à titulo de prisão domiciliar humanitária, o condenado solicitou a realização de reparo no armamento".
Em nota, o GSI informou que "não realiza a segurança de ex-presidentes, incluindo o senhor Jair Messias Bolsonaro" e afirmou que servidores à disposição de ex-mandatários "são de livre indicação dos mesmos e não estão subordinados nem vinculados operacionalmente ao GSI".
Leia comunicado do GSI na íntegra:
"Sobre o assunto, informamos que o GSI não realiza a segurança de ex-Presidentes, incluindo o senhor Jair Messias Bolsonaro.
Os servidores à disposição dos ex-Presidentes são de livre indicação dos mesmos e não estão subordinados nem vinculados operacionalmente ao GSI, conforme dispõem a Lei Nº 7.474, de 8 de maio de 1986, e o Decreto Nº 6.381, de 27 de fevereiro de 2008.
Informamos ainda que, de acordo com o decreto supramencionado, o GSI oferece a capacitação e a avaliação de servidores e de condutores de veículos, que integram a segurança dos ex-Presidentes da República. (Portaria GSI/PR Nº 136, de 20 de setembro de 2024)."
Também em comunicado oficial à imprensa, a PCDF afirmou que o registro da pistola "não pôde ser verificado imediatamente" e que o caso será investigado pela 17ª DP (Taguatinga Norte), "encarregada de apurar o relato e checar a regularidade do registro do armamento".
Leia nota da PCDF na íntegra:
"Um servidor do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República foi abordado pela Polícia Militar do Distrito Federal na noite desta segunda-feira (16/06/2026), no Pistão Sul, em Taguatinga/DF. Ele estava em uma viatura oficial e portava uma arma de fogo calibre 9mm cujo registro não pôde ser verificado imediatamente.
O funcionário foi conduzido à 21ª Delegacia de Polícia para esclarecimentos. No local, declarou trabalhar com o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro e afirmou que a arma pertencia a este, justificando que havia ficado com o armamento temporariamente para consertar uma pane.
Por possuir porte funcional de arma de fogo ativo, o servidor foi liberado após prestar depoimento. O caso foi transferido para a 17ª Delegacia de Polícia, unidade responsável pela região do ocorrido, que ficará encarregada de apurar o relato e checar a regularidade do registro do armamento."
Versões conflitantes
O policial responsável pela abordagem e Silva Filho deram versões diferentes sobre o caso. O PM afirmou à PCDF que, após a ordem de parada e o sargento dizer que faria o teste do bafômetro, percebeu a presença da pistola no assoalho do carro.
"O motorista, de forma repentina, fechou o vidro do veículo. Diante disso, abri a porta do condutor e recolhi a arma", diz relato anexado ao boletim de ocorrência.
Após ser orientado a estacionar o carro no acostamento, o sargento desceu do veículo e se identificou como integrante do GSI, "afirmando que trabalhava com o ex-presidente Jair Bolsonaro".
O policial disse que verificou a autenticidade dos documentos do veículo e a funcional do sargento, "constatando que realmente se tratava de servidor do GSI e que veículo era oficial da Presidência da República".
Questionado sobre a pistola, o militar falou ao policial que a arma constava em sua funcional, mas o PM não encontrou essa informação no documento. Após novo questionamento, o motorista declarou que a 9mm pertencia a Bolsonaro.
O PM ainda localizou um carregador da arma e conduziu o militar à 21ª DP.
Estácio Leite da Silva Filho relatou à Polícia Civil que foi abordado pela Polícia Militar após sair do trabalho. Ele disse que comunicou "imediatamente" ao policial que a arma era de Bolsonaro. "Afirma, ainda, que o armamento lhe foi entregue em razão da constatação de uma pane, a qual, segundo informa, aparentava ser de fácil solução", diz relato no boletim de ocorrência.
O sargento narrou ao policial que havia retirado a pistola nessa segunda (15) e que, após manutenção, a devolveria nesta terça (16).
Em nota sobre o caso, a PMDF afirmou que "não confirma a propriedade do armamento apreendido, cabendo à investigação esclarecer sua procedência e situação legal".
"A identificação da propriedade, origem, regularidade e eventual vinculação da arma apreendida a qualquer pessoa dependerá da análise dos órgãos competentes, especialmente das autoridades responsáveis pela investigação", acrescentou.
*Colaboraram Rafael Saraiva e Valentina Moreira















