Eleições

Flávio é sondado sobre Fazenda e discute corte de R$ 200 bi

Campanha aposta na força do Congresso para, em caso de vitória nas urnas, iniciar negociações para cortar gastos; nomes para comandar a Fazenda são cotados

Avatar de Carla Araújo
Carla Araújo
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) | Divulgação/Charles Vieira

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) | Divulgação/Charles Vieira

Depois da reação positiva do mercado financeiro ao resultado do primeiro turno, que mostrou Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Lula (PT) na corrida eleitoral, alguns nomes de candidatos a ministro da Fazenda (ou Economia, a depender de como será o desenho da pasta) começaram a ganhar força na Faria Lima e nos bastidores da campanha.

O ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto; o ex-secretário do Tesouro e atual economista do BTG, Mansueto Almeida; o ex-diretor do Credit Suisse Marcelo Kayath; e o executivo do Bank of America Alexandre Bettamio são alguns desses nomes, que mantêm interlocução com o mercado financeiro e defendem a candidatura de Flávio.

Adolfo Sachsida e Daniella Marques, que integram oficialmente a campanha, com a ex-presidente da Caixa na coordenação da parte econômica do plano, também são considerados “ministros naturais”. Mas os postos ainda não estão definidos.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.

Siga no Google Discover

Apesar de os nomes estarem circulando, integrantes da campanha afirmam que não é hora de anunciar nome de ministro da Fazenda. Nas palavras de um auxiliar, antes de qualquer um se colocar à disposição para ser ministro, eles devem buscar votos para Flávio.

Um dos pontos que já estão sendo trabalhados pela equipe do senador é uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da transição, que poderia ser aprovada entre o resultado eleitoral e a posse, assim como ocorreu com a proposta apresentada após a eleição de Lula, em 2022. A partir de 2027, a posse presidencial será em 5 de janeiro.

Integrantes da campanha evitam cravar o tamanho do ajuste que a PEC poderia gerar, mas o discurso é de um corte em torno de R$ 200 bilhões em gastos primários. Parte das mudanças poderia ser feita também por meio de projetos de lei.

“O candidato [Flávio] já fez o compromisso de encaminhar uma PEC ainda durante a transição. Ao contrário do governo atual que abriu gastando R$ 200 bilhões. É consenso entre os economistas que precisamos colocar as contas no lugar para ocorrer uma recuperação da confiança e da credibilidade do país em uma inflexão da curva de juros”, disse Daniella Marques ainda em agosto, durante o evento Movimento Brasil Competitivo, promovido em parceria com a Exame, em São Paulo.

Após o resultado do último domingo, Daniella passou a reforçar o discurso de que o governo Flávio vai dividir a responsabilidade com o Congresso Nacional e tem repetido que é preciso trazer “os Poderes para a mesa de debates”.

A avaliação é que, com a força com que pode sair das urnas, Flávio terá condições de oferecer um ambiente para realizar reformas e aplicar o que ele tem chamado de “tesouraço”.

Contra-ataque

A campanha do presidente Lula tem tentado usar a expressão adotada por Flávio para dizer que a volta da família Bolsonaro ao poder vai representar um corte nos programas sociais.

Em vídeo publicado nesta quinta-feira (8), o presidente Lula rebateu a promessa de que a equipe econômica de Flávio vai cortar R$ 200 bilhões.

“Quando eles falam em cortar R$ 200 bilhões do Orçamento, você sabe de onde eles vão cortar? Do Pé-de-Meia, do Farmácia Popular, do Minha Casa, Minha Vida, da merenda escolar, do Gás do Povo. E não vão dar aumento acima da inflação para trabalhadores e aposentados”, afirmou Lula.

Mais da Coluna da Carla

Últimas notícias de Eleições