Flávio é sondado sobre Fazenda e discute corte de R$ 200 bi
Campanha aposta na força do Congresso para, em caso de vitória nas urnas, iniciar negociações para cortar gastos; nomes para comandar a Fazenda são cotados

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) | Divulgação/Charles Vieira
Depois da reação positiva do mercado financeiro ao resultado do primeiro turno, que mostrou Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Lula (PT) na corrida eleitoral, alguns nomes de candidatos a ministro da Fazenda (ou Economia, a depender de como será o desenho da pasta) começaram a ganhar força na Faria Lima e nos bastidores da campanha.
O ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto; o ex-secretário do Tesouro e atual economista do BTG, Mansueto Almeida; o ex-diretor do Credit Suisse Marcelo Kayath; e o executivo do Bank of America Alexandre Bettamio são alguns desses nomes, que mantêm interlocução com o mercado financeiro e defendem a candidatura de Flávio.
Adolfo Sachsida e Daniella Marques, que integram oficialmente a campanha, com a ex-presidente da Caixa na coordenação da parte econômica do plano, também são considerados “ministros naturais”. Mas os postos ainda não estão definidos.
Apesar de os nomes estarem circulando, integrantes da campanha afirmam que não é hora de anunciar nome de ministro da Fazenda. Nas palavras de um auxiliar, antes de qualquer um se colocar à disposição para ser ministro, eles devem buscar votos para Flávio.
Um dos pontos que já estão sendo trabalhados pela equipe do senador é uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da transição, que poderia ser aprovada entre o resultado eleitoral e a posse, assim como ocorreu com a proposta apresentada após a eleição de Lula, em 2022. A partir de 2027, a posse presidencial será em 5 de janeiro.
Integrantes da campanha evitam cravar o tamanho do ajuste que a PEC poderia gerar, mas o discurso é de um corte em torno de R$ 200 bilhões em gastos primários. Parte das mudanças poderia ser feita também por meio de projetos de lei.
“O candidato [Flávio] já fez o compromisso de encaminhar uma PEC ainda durante a transição. Ao contrário do governo atual que abriu gastando R$ 200 bilhões. É consenso entre os economistas que precisamos colocar as contas no lugar para ocorrer uma recuperação da confiança e da credibilidade do país em uma inflexão da curva de juros”, disse Daniella Marques ainda em agosto, durante o evento Movimento Brasil Competitivo, promovido em parceria com a Exame, em São Paulo.
Após o resultado do último domingo, Daniella passou a reforçar o discurso de que o governo Flávio vai dividir a responsabilidade com o Congresso Nacional e tem repetido que é preciso trazer “os Poderes para a mesa de debates”.
A avaliação é que, com a força com que pode sair das urnas, Flávio terá condições de oferecer um ambiente para realizar reformas e aplicar o que ele tem chamado de “tesouraço”.
Contra-ataque
A campanha do presidente Lula tem tentado usar a expressão adotada por Flávio para dizer que a volta da família Bolsonaro ao poder vai representar um corte nos programas sociais.
Em vídeo publicado nesta quinta-feira (8), o presidente Lula rebateu a promessa de que a equipe econômica de Flávio vai cortar R$ 200 bilhões.
“Quando eles falam em cortar R$ 200 bilhões do Orçamento, você sabe de onde eles vão cortar? Do Pé-de-Meia, do Farmácia Popular, do Minha Casa, Minha Vida, da merenda escolar, do Gás do Povo. E não vão dar aumento acima da inflação para trabalhadores e aposentados”, afirmou Lula.

























