Mendonça e Moraes tiveram reunião tensa na segunda-feira
Entre fontes do Judiciário, a quebra do sigilo das investigações está sendo vista como uma declaração de guerra entre os dois ministros

Alexandre de Moraes e André Mendonça | Foto: Antonio Augusto/Gustavo Moreno/STF
Em rota de colisão, os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), se reuniram na segunda-feira (31) e falaram sobre o avanço da investigação do caso Master. Ao SBT News, interlocutores dos ministros descreveram que foi uma conversa “tensa”, na qual os dois "bateram boca". Moraes teria afirmado a Mendonça que sabia que estava sendo investigado pelo magistrado. Mendonça, por sua vez, teria defendido a lisura da investigação que atinge o colega em cheio.
Um dia antes da conversa com Moraes, no domingo (30), André Mendonça também comunicou ao presidente da Corte, Edson Fachin, sobre o teor da decisão que determinaria a abertura do sigilo dos autos-- que reúnem troca de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e Moraes.
Entre fontes do Judiciário, o episódio está sendo visto como uma declaração de guerra de Mendonça contra Moraes, ainda mais após decisão do ministro relator de abrir o sigilo da apuração. Até então, o ministro Alexandre de Moraes vinha negando vinculação com o contato. Mendonça, entretanto, determinou à PF que identificasse o destinatário das mensagens, o que colocou o colega na mira das investigações.
No despacho tornado público nesta terça-feira (1), a PF destaca que, em respeito à Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LOMAN) e da Lei Orgânica do Ministério Público, restringiu o trabalho a identificar com quem Vorcaro conversava, sem aprofundar investigação. A ressalva ocorre porque somente com autorização do plenário do STF, um ministro da corte pode ser investigado.
"Não foram realizados quaisquer atos de aprofundamento investigativo direcionados a magistrados ou membros do Ministério Público, tampouco diligências tipicamente policiais destinadas à apuração de condutas que, em tese, possam configurar ilícitos penais, limitando-se o presente trabalho à identificação e exposição objetiva dos elementos já existentes no material regularmente arrecadado e submetido à supervisão judicial", diz a Polícia Federal.
























