Política

Gilmar defende Gonet e Andrei e volta a criticar Mendonça

Decano do STF diz que decisões no caso Master foram tomadas de afogadilho na fase de investigação e geram efeitos irreparáveis sobre reputações e instituições

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Basília Rodrigues
Gilmar Mendes e André Mendonça | Reprodução

Gilmar Mendes e André Mendonça | Reprodução

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, afirmou neste sábado (25) que a decisão do Conselho Superior do Ministério Público Federal, de não abrir investigação sobre o procurador-geral Paulo Gonet confirma que nada impede que ele continue atuando nos processos do Banco Master, “muito menos algo que arranhasse a reputação construída em décadas de serviço público”.

Decano do STF, Gilmar se manifestou em publicação nas redes sociais em que também acusa o ministro André Mendonça, relator do Master, de fazer insinuações e emitir decisões de danos irreparáveis.

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“O próprio relator já havia reconhecido em Plenário a fragilidade das insinuações. Tarde demais, e com uma tranquilidade desconcertante diante da qual não me calei. Levanta-se o sigilo, submete-se a reputação de um homem honrado a ataques rasteiros nas redes sociais e, só então, reconhece-se que nada de grave havia naquelas conversas”, afirmou.

Para Mendes, Mendonça tentou fazer reparo quanto às suspeitas contra Gonet de forma tardia. O ministro, que já questionou existirem razões eleitorais por trás da conduta de Mendonça, voltou a falar da proximidade do momento de crise no STF com as eleições.

“Reparo tíbio e conveniente para quem causou o dano, mas inútil para quem carrega suas consequências. O sigilo já havia sido levantado e as manchetes já haviam circulado. O dano reputacional já estava consumado. O que fica é um retrato sem filtro de vazamentos seletivos, em um inquérito que, curiosamente, ganhou tração conforme avançava o ciclo eleitoral”, reforçou.

Além de Gonet, o ministro Gilmar Mendes também defende o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Ele repete que o afastamento de Andrei da PF, decidido por Mendonça, foi “medida desproporcional, de efeitos institucionais imprevisíveis, que desarticulou, ainda que por breve período, o comando do órgão responsável pela segurança das nossas fronteiras e pela repressão a crimes graves de caráter transnacional. Sua pronta reversão evitou dano maior”, ressalta.

“São episódios diferentes, mas que lançam luz sobre o mesmo problema. Decisões individuais de enorme alcance, tomadas de afogadilho na fase de investigação, cujos efeitos sobre reputações e sobre instituições são irreparáveis. Tudo isso reforça a posição que já defendi quanto à necessidade de que a figura do juiz de garantias também possa valer para o Supremo Tribunal Federal”, ataca.

Mendes encerra a publicação falando de solidariedade a Gonet e Andrei. “A Paulo Gonet, reafirmo minha solidariedade. A decisão de ontem apenas confirmou a lisura de um homem íntegro, que dedicou a vida ao país e às instituições. Registro também minha solidariedade ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, delegado de carreira com mais de 20 anos de serviços prestados ao país na área de segurança pública”.

Gilmar e Mendonça protagonizaram um dos principais embates do julgamento na semana passada. Ao se referir a Gonet, Mendonça fez ponderação e reconheceu a fragilidade das acusações, o que imediatamente foi respondido pelo ministro decano. Gilmar chegou a chamar Mendonça de “sujeito”.

O SBT News procurou o gabinete do ministro André Mendonça, sobre as novas declarações de Mendes. Ainda não houve resposta.

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