Resenha: 'Life is Strange Reunion' aposta na nostalgia de Max e Chloe, mas esbarra em bugs e falta de ousadia
Novo jogo da franquia tenta corrigir erros de Double Exposure, mas entrega experiência instável no PS5 e narrativa que joga seguro


Vinícius Gobira
Life is Strange já foi, em algum momento, uma das franquias mais impactantes da indústria quando o assunto era narrativa. O primeiro jogo, desenvolvido pela Dontnod, marcou uma geração com escolhas difíceis e consequências pesadas. Desde então, a série passou por mudanças criativas, trocou de estúdio e, aos poucos, perdeu parte da identidade que a tornou especial.
Esse desgaste ficou ainda mais evidente com Life is Strange: Double Exposure, um capítulo divisivo que bagunçou a linha narrativa da franquia ao tentar expandir seu universo de forma pouco consistente. Agora, Life is Strange Reunion surge como uma tentativa clara de reorganizar essa história, e, principalmente, de reconectar os fãs com Max e Chloe.
O resultado? Um jogo que acerta no apelo emocional, mas que evidencia limitações criativas e problemas técnicos difíceis de ignorar.
Nostalgia forte, mas sustentada por uma base frágil
A proposta de Reunion é direta: reunir Max e Chloe mais uma vez em uma história que funcione como encerramento dessa jornada. A narrativa se passa novamente na Universidade de Caledon, agora envolvida em um incêndio de grandes proporções.
Max retorna ao uso de seus poderes de manipulação do tempo, enquanto Chloe reaparece carregando as consequências das múltiplas linhas do tempo criadas nos jogos anteriores. A forma como o roteiro amarra o retorno da personagem é funcional, especialmente por considerar diferentes finais do primeiro jogo, mas também escancara um problema: a perda de peso das escolhas.
Ao tentar agradar todos os caminhos possíveis, Reunion acaba diluindo o impacto emocional que antes era a principal marca da franquia.
Uma sequência presa ao passado
Grande parte da experiência gira em torno de elementos herdados diretamente de Double Exposure. Isso inclui personagens, ambientação e conflitos que, para muitos jogadores, já eram questionáveis no título anterior.
A Universidade de Caledon volta a ser o centro da narrativa, com tramas envolvendo disputas internas, decisões administrativas e grupos misteriosos. Apesar de existir uma tentativa de criar tensão com o incêndio e suas causas, a história raramente atinge o nível de profundidade esperado.
Os personagens secundários seguem arquétipos previsíveis ou tomam decisões convenientes para o roteiro avançar.

Max e Chloe ainda carregam o jogo
Se existe um ponto que sustenta Life is Strange Reunion, é a relação entre Max e Chloe. As interações entre as duas protagonistas continuam sendo o coração da experiência.
Os diálogos funcionam, a química está presente e há momentos genuinamente emocionais, aqueles que lembram por que a franquia conquistou tantos fãs. É justamente essa conexão que faz o jogo funcionar, mesmo quando todo o resto parece inconsistente.
No gameplay, Reunion mantém a estrutura clássica da série. Max segue utilizando seus poderes para voltar no tempo e resolver situações, enquanto Chloe ganha destaque com mecânicas de confronto verbal, baseadas em interpretação de pistas e escolhas rápidas.
As decisões impactam o rumo da história e levam a múltiplos finais, o que representa uma evolução em relação ao jogo anterior. Ainda assim, falta coragem. Mesmo com diferentes desfechos, muitos caminhos parecem previsíveis ou pouco ousados, buscando agradar os fãs que se distanciaram em jogos anteriores.
Problemas técnicos comprometem a experiência no PS5
Se a narrativa já divide opiniões, a parte técnica é um problema mais objetivo, especialmente no PS5 base, onde tive a experiência com o jogo.
Durante a campanha, são frequentes os bugs visuais e falhas técnicas. Em alguns momentos, a sensação é de um jogo lançado antes do tempo ideal. Considerando que Reunion reutiliza a base de Double Exposure, a expectativa era de uma experiência mais polida. Não é o que acontece. A impressão é de que os problemas já eram conhecidos, mas, devem ser corrigidos em atualizações futuras.
Duração curta e sensação de oportunidade perdida
Com menos de dez horas de duração, o jogo pode ser finalizado rapidamente, especialmente para quem já está familiarizado com a fórmula da franquia. Embora isso não seja necessariamente um problema, reforça a sensação de que faltou ambição.
Há ideias interessantes, principalmente na tentativa de corrigir rumos após Double Exposure, mas nenhuma delas é levada ao limite.

Conclusão: um adeus seguro
Life is Strange Reunion funciona como uma espécie de despedida confortável para Max e Chloe. É um jogo que entende o que os fãs querem e entrega exatamente isso, sem arriscar além do necessário. Isso não é necessariamente um ponto negativo, mas diverge do que a franquia construiu durante seu início.
Para quem tem apego à dupla, a experiência pode ser suficiente. Mas, olhando para o histórico da franquia, fica a sensação de que havia espaço para algo maior, mais impactante e mais corajoso.
No fim, Reunion é um capítulo que aposta na nostalgia para compensar suas limitações e que, mesmo tropeçando em problemas técnicos, entrega uma boa experiência e finais que proporcionam um adeus digno a Max e Chloe. Ou será que ainda há mais por vir?









