'The Division Resurgence': Ubisoft aposta no mobile com experiência completa da franquia
Jogo chega com gráficos sólidos, gameplay fiel e promessa de suporte a longo prazo


Vinícius Gobira
Levar uma franquia consolidada dos consoles e PC para o mobile nunca é uma tarefa simples, ainda mais quando estamos falando de uma experiência tão densa quanto The Division. Com The Division Resurgence, a Ubisoft tenta justamente esse movimento: expandir o alcance da marca sem abrir mão da identidade que conquistou os jogadores ao longo dos anos.
Em entrevista com o produtor executivo Fabrice Navrez, durante testes do jogo, foi possível entender melhor as ambições do projeto, e também perceber, na prática, onde ele acerta e onde ainda pode evoluir.
Uma nova porta de entrada (e também continuidade)
Segundo Fabrice, a chegada ao mobile não é apenas uma adaptação, mas uma estratégia clara de expansão:
“Um dos principais objetivos era alcançar o maior número possível de jogadores [...] tanto quem já conhece a franquia quanto novos públicos em regiões onde console e PC são menos populares.”
A proposta, portanto, é dupla: oferecer uma alternativa mais prática para quem já joga a franquia, especialmente aqueles com menos tempo para jogar e, ao mesmo tempo, funcionar como porta de entrada para novos jogadores.

História inédita, mas conectada ao universo
A narrativa de Resurgence se encaixa na linha do tempo da franquia. O jogador assume o papel de um agente da primeira onda da Strategic Homeland Division (SHD), ainda no início do colapso de Nova York.
“A história começa antes do primeiro jogo e se passa majoritariamente entre The Division 1 e 2 [...] mesmo quem nunca jogou vai entender o que está em jogo.”
Ao mesmo tempo, jogadores antigos encontrarão novos detalhes e expansões do lore. O jogo também introduz facções inéditas, como os Freemen, ampliando os conflitos na cidade.
Essa escolha dá liberdade criativa para a equipe sem depender diretamente dos eventos dos jogos principais, um equilíbrio interessante entre novidade e familiaridade.
Gameplay fiel, agora na palma da mão
A maior preocupação da Ubisoft foi manter a essência da franquia, e isso fica evidente logo nos primeiros minutos.
O combate tático, baseado em cobertura, continua sendo o coração da experiência. A progressão com loot, builds e especializações também está presente, preservando o DNA de RPG.
“Queríamos manter a essência de The Division [...] se você procura esse tipo de experiência, é exatamente isso que você vai encontrar.”
Os controles foram adaptados: há suporte completo ao touch, opções de personalização e compatibilidade com controle físico. A cadência mais estratégica do jogo acaba funcionando bem no mobile.
Desafios técnicos e adaptação para mobile
Trazer um mundo aberto detalhado como Nova York para celulares exigiu concessões.
“Tivemos que simplificar algumas texturas [...] em telas pequenas, muito detalhe pode atrapalhar a leitura da ação.”
Ainda assim, o resultado impressiona. No aparelho onde foi realizado o teste, um Samsung S24, o jogo entrega gráficos muito bonitos, mantendo a atmosfera característica da franquia.
A Ubisoft também buscou otimizar o desempenho para diferentes dispositivos, com a meta de manter estabilidade próxima dos 30 FPS. Fabrice ainda comentou sobre o olhar que os desenvolvedores tiveram para que o jogo consiga se comportar bem mesmo em celulares mais antigos ou modestos.
Desempenho: um ponto de atenção
Apesar da boa otimização geral, durante os testes, um ponto chamou atenção: o consumo de bateria.
Em sessões mais longas, o jogo demonstrou drenar a carga do celular de forma bastante acelerada. Isso pode variar dependendo do aparelho ou das configurações (como brilho e desempenho), mas é um fator importante, principalmente para um jogo pensado para mobilidade.
Ainda assim, não compromete diretamente a experiência, mas pode limitar o tempo de jogo longe de uma tomada.
Conteúdo robusto e foco no longo prazo
Um dos destaques de Resurgence é a quantidade de conteúdo já disponível no lançamento: missões principais, mundo aberto, desafios, modos como a Dark Zone e níveis de dificuldade mais elevados.
“O jogo é muito denso já no lançamento [...] e teremos um sistema sazonal com novos conteúdos regularmente.”
A Ubisoft deixa claro que o plano é transformar o jogo em uma experiência de longo prazo, seguindo o modelo já adotado em The Division 2, que continua recebendo atualizações anos após seu lançamento.

Nos bastidores: o papel do produtor executivo
Durante a entrevista, Fabrice também comentou sobre sua função:
“Meu papel é liderar o projeto e garantir que todas as áreas — técnica, design e marketing — trabalhem juntas.”
Ele destacou que o sucesso de um jogo está diretamente ligado à qualidade e equilíbrio da equipe, e deixa um conselho para quem quer entrar na indústria:
“É essencial ter paixão por jogos, paciência e entender que nem tudo é possível — o importante é encontrar o melhor equilíbrio.”
Vale a pena ficar de olho?
The Division Resurgence mostra quer levar uma experiência AAA para o mobile sem perder sua essência. O jogo busca manter a identidade da franquia, oferecendo conteúdo robusto e criando uma narrativa acessível tanto para novatos quanto veteranos.
Por outro lado, questões como consumo de bateria e possíveis variações de desempenho entre dispositivos ainda são pontos a observar.
No geral, a Ubisoft parece ter encontrado um caminho sólido para expandir The Division, que agora estará literalmente na palma da mão.









