Em reunião ministerial, Lula cobra ofensiva de ministros na comunicação do governo
Presidente pediu atuação mais ativa nas eleições, fez críticas a Flávio Bolsonaro e anunciou reforço na estratégia de divulgação da gestão petista


Hariane Bittencourt
O presidente Lula (PT) aproveitou a reunião ministerial desta terça-feira (31) para cobrar participação ativa dos ministros na estratégia de comunicação do governo, que será reforçada nos próximos dias, e pedir que os comandados saiam da defensiva e partam para o ataque em seus discursos e entregas durante o período eleitoral.
Em sua fala ao final do encontro, fechada à imprensa, Lula criticou as recentes manifestações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante uma conferência conservadora no último fim de semana, nos Estados Unidos.
Segundo fontes ouvidas pelo SBT News, o petista afirmou que seu principal opositor na corrida ao Palácio do Planalto adota uma postura de entreguismo do Brasil, que põe em cheque a soberania nacional — uma das principais bandeiras do governo, que será usada durante a campanha eleitoral.
O presidente pediu que os ministros não fujam de embates durante as eleições. O recado foi endereçado tanto aos que estão de saída da Esplanada quanto aos recém-chegados aos comandos dos ministérios. Mais do que responder a ataques dos opositores, Lula foi enfático ao demandar que os comandados busquem o enfrentamento político.
Antes da fala do petista, coube ao ministro Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação Social (Secom), apresentar aos colegas de Esplanada dos Ministérios os recursos adotados pelo governo para comunicar as entregas da gestão petista até aqui. O investimento em vídeos e publicações nas redes sociais, com formato mais direcionado aos jovens, foi mencionado.
Apesar disso, Sidônio transmitiu a avaliação interna de que o governo ainda enfrenta problemas de comunicação. O ministro citou a falta de uma ação política de divulgação — o que, segundo ele, será determinante no período eleitoral.
O ministro da Secom também anunciou que, a partir da semana que vem, o governo vai rodar comerciais por estados mostrando as principais obras e entregas de Lula nas regiões do país.
O alcance da medida direcionada, no entanto, é visto como limitado. Por isso, Sidônio pediu aos colegas que façam uma divulgação orgânica das ações do governo.
A reunião durou cerca de duas horas e meia e aconteceu no Palácio do Planalto. Também falaram o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e da Casa Civil, Rui Costa.
O encontro foi o último antes das mudanças nos ministérios motivadas pelas eleições de 2026. Lula confirmou as saídas de 18 ministros, sendo 14 somente hoje, mas a expectativa é de que pelo menos 20 ministérios passem por alterações nos próximos dias.









