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Poluição do ar pode desencadear Alzheimer, apontam cientistas

Segundo pesquisadores, uma partícula minúscula encontrada no ar chamada magnetita pode ativar os sintomas da doença degenerativa

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Cido Coelho
18/03/2024, 14:04 • Atualizado em 18/03/2024, 14:37
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Poluição do ar pode desencadear Alzheimer, apontam cientistas

Cientistas da Universidade de Tecnologia de Sidney, na Austrália, em conjunto com pesquisadores de Cingapura, investigam a relação da poluição do ar com a forma precoce da doença de Alzheimer. A pesquisa foi publicada na edição 185 da publicação científica Environment International (Meio Ambiente Internacional) deste mês.

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A culpa pode ser de uma minúscula partícula chamada magnetita, que ativa os sintomas da doença degenerativa e leva à perda de memória, cognição e consequente queda na qualidade de vida. Segundo o estudo, a magnetita é um composto magnético de óxido de ferro formado por processos de combustão em alta temperatura.

Estas partículas podem ser formadas a partir do escapamento de veículos, incêndios em florestas, usinas de energia movidas a carvão, desgaste do motor e até mesmo na fricção das pastilhas de freio dos veículos. Elas entram pelo nariz e conseguem contornar a barreira hematoencefálica, uma camada que projete o cérebro de substâncias nocivas, e se alojar.

“No entanto, este é o primeiro estudo que analisa se a presença de partículas de magnetita no cérebro pode de fato levar a sinais de Alzheimer”, disse a professora associada Cindy Gunawan, ao site Interesting Engineering.

Ratos e células neuronais humanas foram expostos à poluição

O estudo expôs camundongos e células neuronais humanas em laboratório a partículas tóxicas de poluição do ar para entender a participação delas no desenvolvimento do Alzheimer.

“Embora menos de 1% dos casos de Alzheimer tenham origem genética, o ambiente e as escolhas de estilo de vida parecem ter um grande impacto na doença”, disse a professora.

A especialista ressalta que este é o primeiro estudo que liga as partículas de magnetita no cérebro ao Alzheimer.

“Estudos anteriores observaram a ligação entre a poluição do ar e a doença de Alzheimer. Este é o primeiro a analisar se as partículas de magnetite ligadas ao cérebro podem desencadear os seus sintomas.”

Nos quatro meses de pesquisa, os camundongos saudáveis e geneticamente suscetíveis foram expostos a ferro, magnetita e a hidrocarbonetos de diesel. A magnetita afetou mais os ratos, trazendo resultados mais consistentes a doença de Alzheimer, provocando perda de células cerebrais, acúmulo de placa amiloide e aumento do estresse, ansiedade e comportamento de memória de curto prazo.

“Inspiramos essas partículas e elas têm a capacidade preocupante de entrar no cérebro através das nossas passagens nasais, contornando a barreira protetora hematoencefálica”, acrescentou ela.

A partícula desencadeou uma resposta imunológica levando à inflamação e ao estresse oxidativo, que pode contribuir para a demência. O mesmo foi detectado nos ratos testados pelos pesquisadores. Eles alertam que devem ser observadas políticas públicas sobre a poluição do ar e, principalmente, a regulação dos níveis de magnetita no ar.

“Isso significa que qualquer pessoa exposta a partículas de magnetita no ar pode potencialmente desenvolver a doença de Alzheimer, independentemente da sua origem genética ou de outros fatores de risco. Portanto, é vital monitorar e regular os níveis de magnetita no ar e aumentar a conscientização sobre os potenciais riscos à saúde decorrentes da poluição do ar”, analisa a doutora Charlotte Fleming, coautora da pesquisa.

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