Uso incorreto de medicamentos faz crescer casos de intoxicação e preocupa especialistas
Automedicação, mistura de remédios e falta de acompanhamento aumentam riscos, principalmente entre crianças e idosos


SBT News
A intoxicação medicamentosa segue entre os principais desafios de saúde pública no Brasil e acende um alerta para os riscos do uso incorreto de remédios. O Ministério da Saúde reforçou recentemente a preocupação com a automedicação e com o consumo inadequado de medicamentos, situações que podem provocar reações adversas, agravamento de doenças, interações perigosas, internações e até mortes.
No Espírito Santo, os números chamam atenção.
Dados do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox-ES) mostram que os medicamentos lideram os registros de intoxicação atendidos pelos serviços especializados. Somente em 2025, já foram contabilizados mais de oito mil casos de exposições e intoxicações relacionadas a remédios.
Entre os grupos mais vulneráveis estão crianças e idosos. No caso das crianças, os episódios geralmente acontecem por ingestão acidental dentro de casa. Já entre os idosos, os riscos costumam estar ligados ao uso simultâneo de vários medicamentos e à ausência de acompanhamento contínuo.
O geriatra Dr. Roni Mukamal, superintendente de Medicina Preventiva da MedSênior, explica que o envelhecimento modifica a forma como o organismo reage aos medicamentos.
“O envelhecimento altera a forma como o organismo processa os medicamentos, tornando os pacientes mais suscetíveis a reações adversas. Com o avanço da idade, funções como a renal e a hepática tendem a diminuir, o que interfere diretamente na metabolização dos medicamentos e aumenta o risco de efeitos colaterais”, afirma.
Segundo o especialista, a atenção deve ser redobrada especialmente entre idosos que convivem com doenças crônicas e fazem uso frequente de múltiplas medicações.
“Muitos idosos convivem com doenças crônicas e acabam utilizando diversas medicações simultaneamente. Isso aumenta o risco de interações medicamentosas, tonturas, quedas e até internações”, alerta.
Além do uso simultâneo de medicamentos, a automedicação também preocupa especialistas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que os remédios sejam utilizados na dose correta, pelo período adequado e sempre com orientação profissional.
Para o farmacêutico Thiago de Melo, a prática ainda é tratada de forma banalizada por grande parte da população brasileira.
“Muitas pessoas enxergam o medicamento como uma solução rápida e simples, sem considerar possíveis interações, efeitos colaterais ou até o risco de mascarar sintomas de doenças mais graves”, explica.
O especialista também chama atenção para combinações perigosas entre medicamentos, bebidas alcoólicas, suplementos e determinados alimentos, que podem alterar a eficácia dos tratamentos ou potencializar efeitos adversos.
“Há substâncias que podem perder eficácia dependendo da forma como são ingeridas. Em alguns casos, alimentos e bebidas interferem diretamente na absorção do medicamento ou podem potencializar alguns efeitos adversos”, destaca.
Outro problema recorrente, segundo Thiago, é a chamada “cascata de prescrição”, quando um efeito colateral provocado por um medicamento é confundido com uma nova doença, levando à indicação de novos remédios desnecessariamente.
“Um erro inicial pode desencadear uma sequência de prescrições desnecessárias e aumentar ainda mais os riscos ao paciente”, afirma.
Especialistas reforçam que a orientação médica e farmacêutica continua sendo fundamental para evitar intoxicações, garantir a eficácia dos tratamentos e reduzir riscos à saúde.








