Saúde

Você tem caso de glaucoma na família? Fique atento aos sinais

Familiares de pacientes com a doença precisam entrar no foco da prevenção para evitar perdas visuais irreversíveis

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Brazil Health
11/05/2026, 13:06 • Atualizado em 11/05/2026, 13:06
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Imagem ilustração, glaucoma. (Reprodução/ Agência Brasil)

Imagem ilustração, glaucoma. (Reprodução/ Agência Brasil)

Neste mês de conscientização sobre o glaucoma, é comum direcionarmos a atenção ao paciente já diagnosticado. No entanto, há um grupo que ainda recebe pouca atenção nas campanhas e que, do ponto de vista científico, deveria ser prioridade: os familiares.

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Por que o risco não é igual para todo mundo

O glaucoma é uma neuropatia óptica progressiva e silenciosa, responsável por uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo. O grande desafio permanece o mesmo: diagnosticar precocemente uma doença que, muitas vezes, não apresenta sintomas nas fases iniciais.

Mas a ciência tem sido clara em um ponto: o risco de glaucoma não é distribuído de forma aleatória na população.

Estudos epidemiológicos robustos, como o Baltimore Eye Survey, e análises mais recentes publicadas em revistas como Ophthalmology e The Lancet Global Health demonstram que indivíduos com parentes de primeiro grau com glaucoma apresentam um risco de 4 a 9 vezes maior de desenvolver a doença.

Além disso:

· Cerca de 20% a 30% dos pacientes com glaucoma relatam histórico familiar positivo.

· Em algumas populações, esse número pode ser ainda maior.

· Casos de cegueira na família sugerem formas mais agressivas ou diagnóstico tardio.

Mais recentemente, estudos genéticos de larga escala, incluindo GWAS (genome-wide association studies), identificaram múltiplos loci associados ao glaucoma, como variantes nos genes MYOC, OPTN e TBK1, além de regiões relacionadas à pressão intraocular e à estrutura do nervo óptico.

O ponto central é: o glaucoma não é uma doença de um único gene, mas sim uma condição multifatorial, em que fatores genéticos e ambientais interagem.

Isso significa que, dentro de uma mesma família, pode haver:

· predisposição anatômica semelhante;

· padrões de pressão intraocular;

· susceptibilidade vascular do nervo óptico.

E, consequentemente, um risco compartilhado.

O maior problema: pouca percepção do risco

O problema não é apenas o risco, é a falta de percepção dele.

Mesmo com evidências consistentes, muitos familiares de pacientes com glaucoma não se reconhecem como grupo de risco.

Diferentemente de outras doenças crônicas, como diabetes ou hipertensão, o glaucoma ainda não é amplamente compreendido como uma condição com componente familiar relevante.

E isso impacta diretamente o diagnóstico.

Estudos mostram que uma parcela significativa dos pacientes com glaucoma descobre a doença em estágios já avançados, quando a perda visual é irreversível e, frequentemente, esses pacientes tinham histórico familiar não investigado.

Talvez seja hora de mudar o foco das campanhas

Se queremos reduzir a cegueira por glaucoma, precisamos ir além do diagnóstico individual.

Precisamos rastrear famílias, e isso talvez nos possibilite chegar ao diagnóstico mais precoce.

Orientar familiares de primeiro grau, incentivar exames periódicos e aumentar a conscientização sobre o risco hereditário pode ser uma das estratégias mais eficazes de prevenção.

Principalmente em famílias com histórico de cegueira, em que a carga genética e o impacto da doença já são evidentes.

Conclusão:

O glaucoma é silencioso, mas, dentro da família, ele raramente é isolado.

Reconhecer esse padrão e direcionar campanhas para quem ainda não sabe que está em risco pode representar uma mudança real na prevenção da cegueira.

Neste Maio Verde, talvez o convite mais importante não seja apenas para quem tem glaucoma.

Mas para quem pode vir a ter e ainda não sabe.

** Regina Cele Silveira Seixas é oftalmologista especializada em glaucoma e catarata

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