Uso de vape entre estudantes sobe e preocupa especialistas
Cigarro eletrônico, associado a lesões pulmonares e dependência, está longe de ser alternativa segura ao cigarro, afirma pneumologista
Brazil Health
10/07/2026, 14:00 • Atualizado em 10/07/2026, 14:00
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Uso de cigarro eletrônico é proibido pela Anvisa
Desenvolvido com o objetivo de auxiliar na cessação do tabagismo, o cigarro eletrônico, ou vape, nome amplamente usado devido à vaporização do conteúdo líquido, não se mostrou eficaz em seu propósito de criação.
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A técnica de vaporização existe há inúmeras décadas, mas foi em 2003 que os dispositivos se tornaram pequenos, práticos e portáteis. Tentou-se inicialmente sem o uso de nicotina, porém a falta da substância fazia com que os usuários retornassem ao cigarro convencional. Existe uma ampla variedade de combinações de substâncias no líquido, mas a maioria contém nicotina e/ou cannabis, saborizantes de fruta e mentol.
Com formato moderno, cores vibrantes, sabor de fruta e, principalmente, ausência do odor desagradável e impregnante do cigarro, foi rápido e fácil conquistar consumidores. Devido às inúmeras campanhas e pesquisas sobre os malefícios causados pelo cigarro, felizmente a porcentagem de fumantes vem caindo ao longo dos anos, porém a de usuários do eletrônico vem aumentando em toda a população, principalmente entre jovens e adolescentes. Pesquisas feitas com estudantes nos EUA mostraram crescimento do consumo de 4,7% para 10%.
Apesar de concentrações menores em relação ao cigarro convencional, o eletrônico também possui substâncias tóxicas como nitrosaminas, monóxido de carbono, metais pesados, entre outras. Esse fato gerou alerta para potencial risco à saúde, emitido pelo órgão americano de administração de alimentos e medicamentos (FDA), em 2009.
Casos de lesão pulmonar e sintomas cada vez mais comuns
Desde o início do uso, houve inúmeros relatos de casos mostrando ligação entre o cigarro eletrônico e doenças respiratórias. Em 2019, nos EUA, houve uma epidemia de casos de lesões pulmonares e internações hospitalares causadas pelos componentes químicos do cigarro eletrônico, passando a ser chamada de EVALI, sigla em inglês para injúria pulmonar associada ao cigarro eletrônico e vape.
Nos consultórios, pneumologistas estão cada vez mais se deparando com pacientes que passaram a ter sintomas como tosse, cansaço, dores torácicas e até falta de ar, além de casos de descompensação de doenças respiratórias prévias, como asma, e aumento da suscetibilidade a infecções virais e pneumonias. Como o amplo consumo é relativamente recente, o mecanismo exato das lesões ainda não foi totalmente estabelecido.
Além de ter falhado como alternativa para a cessação do tabagismo convencional, o cigarro eletrônico mostrou potencial para causar doenças pulmonares, além de estimular jovens à experimentação e ao início do hábito, muitos evoluindo com dependência.
Uso de vape entre estudantes sobe e preocupa especialistasCigarro eletrônico, associado a lesões pulmonares e dependência, está longe de ser alternativa segura ao cigarro, afirma pneumologistaSaúde2026-07-10T14:00:23.649ZDesenvolvido com o objetivo de auxiliar na cessação do tabagismo, o cigarro eletrônico, ou vape, nome amplamente usado devido à vaporização do conteúdo líquido, não se mostrou eficaz em seu propósito de criação. A técnica de vaporização existe há inúmeras décadas, mas foi em 2003 que os dispositivos se tornaram pequenos, práticos e portáteis. Tentou-se inicialmente sem o uso de nicotina, porém a falta da substância fazia com que os usuários retornassem ao cigarro convencional. Existe uma ampla variedade de combinações de substâncias no líquido, mas a maioria contém nicotina e/ou cannabis, saborizantes de fruta e mentol. Com formato moderno, cores vibrantes, sabor de fruta e, principalmente, ausência do odor desagradável e impregnante do cigarro, foi rápido e fácil conquistar consumidores. Devido às inúmeras campanhas e pesquisas sobre os malefícios causados pelo cigarro, felizmente a porcentagem de fumantes vem caindo ao longo dos anos, porém a de usuários do eletrônico vem aumentando em toda a população, principalmente entre jovens e adolescentes. Pesquisas feitas com estudantes nos EUA mostraram crescimento do consumo de 4,7% para 10%. Apesar de concentrações menores em relação ao cigarro convencional, o eletrônico também possui substâncias tóxicas como nitrosaminas, monóxido de carbono, metais pesados, entre outras. Esse fato gerou alerta para potencial risco à saúde, emitido pelo órgão americano de administração de alimentos e medicamentos (FDA), em 2009. Casos de lesão pulmonar e sintomas cada vez mais comuns Desde o início do uso, houve inúmeros relatos de casos mostrando ligação entre o cigarro eletrônico e doenças respiratórias. Em 2019, nos EUA, houve uma epidemia de casos de lesões pulmonares e internações hospitalares causadas pelos componentes químicos do cigarro eletrônico, passando a ser chamada de EVALI, sigla em inglês para injúria pulmonar associada ao cigarro eletrônico e vape. Nos consultórios, pneumologistas estão cada vez mais se deparando com pacientes que passaram a ter sintomas como tosse, cansaço, dores torácicas e até falta de ar, além de casos de descompensação de doenças respiratórias prévias, como asma, e aumento da suscetibilidade a infecções virais e pneumonias. Como o amplo consumo é relativamente recente, o mecanismo exato das lesões ainda não foi totalmente estabelecido. Além de ter falhado como alternativa para a cessação do tabagismo convencional, o cigarro eletrônico mostrou potencial para causar doenças pulmonares, além de estimular jovens à experimentação e ao início do hábito, muitos evoluindo com dependência. ** Carla Valeri é pneumologia e clínica geral São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/saude/uso-de-vape-entre-estudantes-sobe-e-preocupa-especialistas