Saúde

Quem para de usar Ozempic, Wegovy ou Mounjaro recupera peso perdido em um ano, diz pesquisa

Estudo da Oxford mostra que efeitos das canetas emagrecedoras tendem a ser temporários quando o tratamento é interrompido; entenda

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Wagner Lauria Jr.
15/05/2025, 19:12 • Atualizado em 15/05/2025, 19:12
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Efeitos das canetas contra a obesidade tendem a ser temporários, mostra estudo | Freepik

Efeitos das canetas contra a obesidade tendem a ser temporários, mostra estudo | Freepik

A maioria das pessoas recupera todo o peso perdido cerca de um ano após interromper o uso de Ozempic, Wegovy e Mounjaro. É o que mostra um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Oxford.

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A pesquisa, apresentada no Congresso Europeu sobre Obesidade, mostra que os efeitos das canetas emagrecedoras tendem a ser temporários quando o tratamento é interrompido.

A análise avaliou dados de 11 estudos – entre ensaios clínicos randomizados e estudos observacionais – envolvendo 6.370 adultos. Os medicamentos em questão pertencem à classe dos agonistas do receptor GLP-1, que incluem desde os mais antigos até os mais recentes compostos, como semaglutida (Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro).

Os resultados mostraram que, durante o uso, os pacientes perderam, em média, 8 kg com os remédios mais comuns. No entanto, cerca de 10 meses após a interrupção, esse peso havia sido completamente recuperado.

No caso dos medicamentos mais potentes, como Wegovy e Mounjaro, a perda foi ainda maior — cerca de 16 kg — mas, em um ano sem o tratamento, os participantes já haviam readquirido cerca de 9,6 kg, com expectativa de retorno completo ao peso original em até 20 meses.

Uso de medicamento sem estratégias comportamentais

Para a professora Susan Jebb, coautora do estudo e especialista em dieta e saúde populacional na Universidade de Oxford, o ganho de peso mais rápido após a suspensão dos medicamentos, em comparação com o abandono de dietas, pode estar relacionado à ausência de estratégias comportamentais de controle.

“Se você está tomando um medicamento que elimina completamente a fome, não precisa fazer esforço. Então, quando o medicamento é retirado, não há uma estratégia em vigor para manter o peso”, explica.

Comparando com estratégias não farmacológicas, análises anteriores dos mesmos pesquisadores apontaram que o retorno ao peso anterior após dietas restritivas leva, em média, cinco anos — uma recuperação significativamente mais lenta.

Outro ponto sensível é o abandono do tratamento. Muitos pacientes desistem, seja por não conseguirem arcar com os custos em regimes privados, seja pelos efeitos colaterais, ou ainda por não observarem mais resultados significativos na balança.

Segundo Fabio Moura, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), esses medicamentos foram feitos para terem uma utilização prolongada, o que reforça a necessidade de indicação e acompanhamento médicos adequados.

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